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Casos de dengue em São Paulo quintuplicam em janeiro

Foram confirmados 4.595 casos no estado neste mês, cinco vezes mais do que no mesmo mês em 2018

Por Da Redação - 5 fev 2019, 17h09

Em janeiro deste ano foram confirmados 4.595 casos de dengue em São Paulo, cinco vezes mais do que no mesmo mês em 2018 (888 casos). Para a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, Regiane de Paula, o que está aumentando os casos é o período de chuvas e calor intenso e ainda não se pode falar em “surto, nem epidemia”. Na grande epidemia de 2015, só em janeiro foram registrados 41 mil casos de dengue.

Segundo ela, o que preocupa este ano é a predominância do sorotipo 2 do vírus, que não circulava havia muito tempo no Estado. “Em 2015, houve a circulação de vários tipos da dengue, mas predominou o sorotipo 1. Se agora a pessoa tem nova infecção pelo sorotipo 2, os sintomas podem ser mais graves”, afirma.

Ela conta que, dos dois óbitos já confirmados este ano no Estado, em um deles, ocorrido em Bauru, não foi possível fazer a análise do sorotipo. O outro, confirmado em São Joaquim da Barra, teve a confirmação do sorotipo 2.

Conforme a especialista, os órgãos estaduais da Saúde vinham se preparando para um aumento nos casos de dengue, mas não havia previsão do surgimento de um grande número de casos do sorotipo 2. “Vimos que a circulação já acontece em 19 municípios e, 10 deles concentram mais de 77% dos casos de dengue. Estamos treinando nosso pessoal e preparando o sistema estadual de saúde para lidar com essa nova situação”, disse.

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Ela lembra que a melhor arma para enfrentar a dengue é eliminar os criadouros do mosquito que, em 80% dos casos, estão no interior das residências. “As pessoas precisam ficar de olhos em seus criadouros potenciais. Ainda vamos ter alguns meses de calor e esse clima é propício para o mosquito.” Conforme Regiane, o Instituto Butantan inicia este mês a fase de testes para produção industrial da vacina da dengue em sua fábrica, na capital. A expectativa é de que o imunizante para os quatro tipos do vírus esteja disponível nos postos de saúde em 2020.

Plano estadual

Motoristas que trafegam pelas principais rodovias do estado já encontram mensagens em painéis luminosos alertando para o risco da dengue. “Cuidado com o mosquito, elimine água parada”, diz o texto inserido em cerca de 400 painéis espalhados pela malha paulista administrada por concessionárias. O alerta faz parte de campanha lançada no último sábado, 2, pelo governador João Doria (PSDB) para combater o Aedes aegypti, transmissor da dengue, do chikungunya e do zika vírus.

No próximo dia 13, as concessionárias farão um “dia D” de limpeza nas margens das rodovias para retirada de pneus, entulhos e outros potenciais criadouros do mosquito. Somente em trechos de três estradas – Castelo Branco, Raposo Tavares e Rodoanel Oeste – a concessionária recolheu, no ano passado, 812 toneladas de lixo e resíduos. O governo estadual lançará esta semana uma campanha pelos veículos de comunicação e mídias digitais contra o mosquito.

Entre os dias 11 e 16, prefeituras dos 645 municípios paulistas vão realizar uma semana especial com ações coletivas, como arrastões, limpezas e eliminação de criadouros do Aedes aegypti. As atividades serão apoiadas pela Secretaria da Saúde do Estado e outros órgãos estaduais, como a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e Defesa Civil. No dia 16, as ações chegarão aos parques estaduais.

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Será definido, em conjunto com a Secretaria da Educação, um dia especial de combate ao mosquito nas escolas, com a caçada a possíveis criadouros. A pasta da Saúde estuda a criação de um selo de qualidade a ser entregue aos municípios que reduzirem a infestação de larvas.

(Com Estadão Conteúdo)

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