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Caso PC: peritos endossam tese de crime passional

Quatro peritos ouvidos pelo júri afirmaram que o corpo do ex-tesoureiro de Collor e o de Suzana Marcolino permaneceram intactos até a chegada da polícia

Por Da Redação 8 Maio 2013, 18h02

Peritos que atuaram nas investigações da morte do empresário Paulo César Farias e de sua namorada Suzana Marcolino, em 1996, citaram na tarde desta quarta-feira resultados de exames indicando que o crime foi passional – Suzana matou o ex-tesoureiro de Fernando Collor e depois se suicidou. A Justiça de Alagoas julga nesta semana quatro ex-seguranças de PC acusados de envolvimento com as mortes.

Os peritos Anita Buarque de Gusmão, Nivaldo Cantuária, José Lopes Filho e Gerson Odilon, que analisaram a cena do crime e os corpos das vítimas e participaram da elaboração do primeiro laudo do caso, não foram ouvidos na condição de testemunhas. Segundo o juiz do caso, eles foram prestar “esclarecimentos”.

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Cena – A primeira pessoa a falar nesta tarde foi Anita Buarque de Gusmão. Ela afirmou que o corpo e a cena do crime estavam intactos. A perita também afirmou que realizou os primeiros exames nas mãos de Suzana Marcolino e de PC Farias, em busca de elementos químicos que pudessem determinar se algum deles havia disparado uma arma. Ela disse ter constatado, por meio desse primeiro exame, que havia resíduos químicos nas mãos de Suzana e que nada foi encontrado nas mãos do empresário, o que levou a concluir que havia ocorrido um homicídio e depois um suicídio.

A perita, no entanto, disse que não foram encontradas digitais de Suzana na arma. “A impressão na arma estava borrada e não servia para análise”, disse Gusmão.

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Resíduos – Logo após o depoimento de Gusmão, foi a vez do perito Nivaldo Cantuária, que fazia parte da equipe de Gusmão. Ele repetiu que o exame de resíduos foi positivo para as mãos de Suzana, e negativo para as mãos de PC. Ele afirmou que a conclusão dos exames apontaram para um “homicídio seguido de suicídio”.

Ao indagar o perito, a defesa tentou desacreditar o resultado desse exame. O promotor perguntou qual foi o procedimento adotado. Cantuária disse que faltava água destilada nos kits que os peritos levaram ao local e que, no lugar do líquido, os peritos usaram água mineral. “Para fazer o exame foi oferecida uma garrafa de água mineral Perrier, água francesa, pelo pessoal da casa de PC”, disse o perito.

A água foi usada para molhar o algodão e esfregar as mãos dos mortos. Depois foram acrescidos reagentes, que produziam uma determinada cor caso as mãos apresentassem partículas de nitrato, que são liberadas no disparo de uma arma de fogo. Após descrever o exame, Cantuária admitiu que esse procedimento, que leva em consideração a presença de nitrato, não é mais usado, porque poderia resultar falsos positivos no “caso de frentistas, de gente que trabalha com relógios ou que manipulam enlatados” – esses trabalhos costumam deixar vestígios de nitrato nas mãos. “O nitrato hoje não é revelador de que a pessoa usou arma de fogo”, disse o perito, que mesmo assim defendeu o exame porque ele era a “melhor método disponível à época”.

Depoimentos – O terceiro perito a falar foi legista José Lopes da Silva Filho. Foi ele o responsável pela necropsia (exame cadavérico) nos corpos. José Lopes disse que o disparo que atingiu PC Farias foi à distância, e o de Suzana foi feito bem próximo. Ele firmou ainda que não foi encontrado sangue na arma porque o orifício da entrada da bala no corpo de Suzana era menor que o de saída, o que impediu que o sangue respingasse no revolver. “Foi feito estudo balístico em um porco para saber se a arma poderia ou não ter sangue. Nesse exame, não foi encontrado sangue na arma”, disse Silva, que também afirmou que a cena do crime não foi alterada..

Logo após Silva, foi a vez do depoimento do médico-legista Gerson Odilon, que também analisou os corpos de PC e Suzana. Ele também disse crer que os resultados apontam um homicídio seguido de suicídio.

Badan – Ainda está previsto para a tarde desta quarta-feira o depoimento do perito Badan Palhares, que chefiou uma equipe da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) enviada a Maceió para ajudar nas investigações. Badan assinou, junto com os peritos alagoanos, o primeiro laudo do caso, que apontou a tese de um homicídio seguido de suicídio.

O laudo contém pontos controversos, que devem ser abordados pela promotoria, como os resultados das trajetória dos tiros, que indicam que Suzana media 1,67 m. Nos meses seguintes ao crime, reportagens e laudos elaborados por outras equipes mostraram que sua estatura era inferior a 1,60 m. O legista José Lopes da Silva Filho chegou a ser inquirido sobre o assunto, e disse que “a altura não interferiria em nada” no resultado. A equipe de Badan também chegou a resultados diferentes no exame residuográfico. Exames realizados pelos técnicos da Unicamp detectaram resíduos tanto nas mãos de Suzana quanto nas de PC.

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