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Caso Henry: polícia do Rio indicia babá por falso testemunho 

Investigação considerou que a cuidadora da criança mentiu em suas primeiras declarações na delegacia 

Por Marina Lang Atualizado em 7 out 2021, 21h22 - Publicado em 7 out 2021, 19h03

A 16ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro indiciou a babá Thayna Oliveira Ferreira por falso testemunho prestado na sede da unidade em seu primeiro depoimento, quando narrou uma suposta relação harmoniosa no apartamento em que o menino Henry Borel, de apenas 4 anos, foi assassinado na madrugada de 8 de março. A mãe da criança, a professora Monique Medeiros, de 33 anos, e o padrasto, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, de 43, estão presos e são réus por homicídio triplamente qualificado e tortura do do garotinho. 

De acordo com o delegado Leandro Gontijo, o indiciamento foi feito no dia 22 de setembro. “Ela não foi ouvida em sede policial porque não foi encontrada após tentativa de intimação pessoal em seu apartamento em Jacarepaguá”, disse o atual titular da unidade. “No segundo depoimento ela disse a verdade. Ela mentiu no primeiro, na DP, e agora, na Justiça”, prosseguiu. Em nota, a defesa de Thayna disse que “certamente, ela não irá se furtar de suas responsabilidades quando for chamada para responder o procedimento”. 

Nesta quarta-feira, 6, quando se iniciou a fase preliminar do julgamento do caso, a babá de Henry apresentou uma terceira versão para a juíza Elizabeth Machado Louro, da 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça fluminense. No depoimento, Thayna contou que se sentiu manipulada por Monique. Neste momento, ela declarou: “No meu entendimento era a Monique que me fazia acreditar em muita coisa e por isso a minha cabeça estava transtornada e eu começava a imaginar um monstro, mas ali no quarto poderia não estar acontecendo nada e eu estava imaginando um monte de coisa”. Entretanto, foi a própria babá quem gravou o vídeo em que Henry aparece mancando após ficar trancado no quarto com Jairinho (assista abaixo).

 

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Embora tenha narrado em tempo real uma sessão de tortura de Jairinho contra o menino, a babá também afirmou que não presenciou nenhuma agressão do político em relação a Henry. Ao final da audiência, no entanto, Thayna se contradisse. “Ela confirmou que fez uma chamada em vídeo com Henry para Monique em 12 de fevereiro, e confirmou que ouviu que a criança falou: ‘tio Jairinho me batia'”, disse a VEJA a assistente de acusação do processo, Sâmya Massari, advogada que representa o engenheiro Leniel Borel, pai do menino.

Trecho do chat em que babá de Henry narra tortura em tempo real à mãe da criança, Monique Medeiros
Trecho do chat em que babá de Henry narra tortura em tempo real à mãe da criança, Monique Medeiros Polícia Civil/Reprodução

Em março, Thayna afirmou à polícia que nunca percebeu nada de anormal na rotina do casal com Henry. Em abril, no entanto, novamente em depoimento aos investigadores, a babá disse que Monique sabia que a criança era agredida pelo padrasto Jairinho. Segundo ela, Monique a pediu para que mentisse na delegacia. Aos policiais, Thayna ressaltou ter visto Henry ter sido agredido pelo menos três vezes pelo ex-vereador.

No Tribunal do Júri, porém, a babá declarou que foi usada por Monique: “Me senti usada em que sentido? No sentido de que ela vinha, contava, tentava me mostrar o monstro do Jairinho e eu ficava com todas as coisas ruins na minha cabeça. Era tudo suposição da minha cabeça. Eu nunca vi nenhum ato [de violência de Jairinho contra Henry]”, afirmou. Mas mensagens de celular e um vídeo obtidos pela polícia revelaram que ela dizia a Monique que o menino sofria uma rotina de violência por parte de Jairinho.

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