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Caso Henry: Polícia Civil do Rio deve encerrar inquérito nesta semana

Defesa de Monique pediu hoje ao MP do Rio um promotor para acompanhar investigação; eles querem que ela seja ouvida pela 2ª vez para reformular versão

Por Marina Lang, Sofia Cerqueira Atualizado em 19 abr 2021, 17h46 - Publicado em 19 abr 2021, 17h36

A Polícia Civil do Rio de Janeiro não definiu, ainda, se vai ouvir Monique Medeiros, de 33 anos, mãe do menino Henry Borel, de 4 anos, pela 2ª vez no inquérito, que já está em fase final na 16ª DP (Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital) e que deve ser concluído até o final desta semana. O garotinho foi morto no apartamento que morava com sua responsável legal e com o padrasto, o vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, de 43 anos. Ambos devem responder por homicídio duplamente qualificado e por tortura da criança. 

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O motivo pelo qual paira a dúvida entre os policiais é porque eles consideram que a documentação do inquérito já está robusta no aspecto de comprovar tecnicamente a materialidade do homicídio de Henry e, também, quanto à participação do casal nas circunstâncias de sua morte. No entanto, a cúpula que apura o caso deve se reunir e tomar uma decisão a esse respeito até esta terça-feira, 20.

Assim que a delegacia concluir os trabalhos, os autos serão encaminhados ao Ministério Público do Rio de Janeiro. O caso vem sendo acompanhado pelo promotor Marcos Kac, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da Zona Sul e da Barra da Tijuca.

Nesta segunda-feira, 19, a nova defesa de Monique refez a solicitação de que ela seja novamente ouvida no âmbito das investigações comandadas pelo delegado Henrique Damasceno. Em sua primeira versão apresentada pela polícia, dez dias após a morte de Henry, a mãe do menino apresentou uma versão classificada comofantasiosa” pelos policiais que apuram as circunstâncias do crime. No dia da prisão de Monique e do vereador, em 8 de abril, a polícia apresentou uma série de conversas mostrando a babá da criança narrando uma sessão de tortura feita por Dr. Jairinho contra Henry, em tempo real no dia 12 de fevereiro, para Monique – que não afastou a criança do padrasto e tampouco comunicou os fatos à polícia, o que era sua obrigação legal. A profissional que cuidava da criança também contou à avó materna, Rosângela Medeiros da Costa e Silva, sobre as agressões que o garoto sofreu, como VEJA mostrou

À época ela estava sendo assistida pelo defensor dela e de Dr. Jairinho, o criminalista André França Barreto, que deixou o caso na semana passada. Eles também foram acusados de coagir testemunhas no curso das investigações. 

Encampada pelo trio Thiago Minagé, Hugo Novais, Thaise Mattar Assad, a nova defesa de Monique alega que ela trará novos fatos para os policiais. “O objetivo da defesa da senhora Monique Medeiros é o resgate da verdade na fase de inquérito policial”, argumentaram, por meio de uma nota conjunta. Os criminalistas vêm sustentando, também, que Monique era agredida fisicamente por Dr. Jairinho, e que omitiu essas informações no depoimento prestado anteriormente.

A defesa informou também que solicitou ao procurador-geral do MP do Rio, Luciano Mattos, a designação de um promotor especial para acompanhar o inquérito da 16ª DP. Procurada pela reportagem, a assessoria da promotoria fluminense ainda não se manifestou. 

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