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Caso Henry: Ex de Jairinho diz que clã se recusa a pagar cirurgia do filho

Ana Carolina Netto afirmou que decisão contraria vontade de ex-vereador preso pela morte do enteado; defesa da família do político rebate as acusações

Por Marina Lang Atualizado em 28 jan 2022, 19h54 - Publicado em 28 jan 2022, 14h11

O filho do ex-vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, deve passar por três cirurgias na próxima segunda-feira, 31. O político, que está preso na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu (Zona Oeste do Rio), teria concordado em arcar com os custos parcialmente reembolsáveis pelo plano de saúde, que totalizariam 18 000 reais. Entretanto, sua família – que está controlando os bens de Jairinho – teria barrado a liberação do valor às vésperas dos procedimentos, e impedido a nutricionista Ana Carolina Ferreira Netto, mãe do menino de 9 anos, de entrar na penitenciária na quarta-feira, 26, segundo ela mesma relatou a VEJA. As declarações de Ana Carolina, que até então só havia se manifestado na delegacia e em juízo em prol do ex-marido, marcam o começo de uma fissura interna dentro do clã comandado pelo pai de Jairinho, o deputado estadual Coronel Jairo (Solidariedade). Em nota, a defesa da família negou as afirmações e declarou que “os avós ajuizaram ação de oferta de alimentos para resguardar o direito das crianças e arcam com o valor integral do plano de saúde dos netos”.

Jairinho responde por homicídio triplamente qualificado e tortura do enteado Henry Borel, de apenas 4 anos, ocorrido em março passado. A mãe da criança e então namorada do ex-vereador, Monique Medeiros, também é ré pelo crime. Ambos estão presos desde 8 de abril e sob julgamento no 2º Tribunal do Júri fluminense.

O vereador Dr. Jairinho, a mãe de Henry, Monique: têm prisão preventiva decretada e viram réus
O ex-vereador Dr. Jairinho, Henry (ao centro), e Monique, mãe da criança assassinada em 8 de março Arquivo pessoal/Reprodução

Além do menino de 9 anos, Ana Carolina é mãe de uma adolescente de 15, também fruto do relacionamento que manteve com o ex-parlamentar ao longo de 21 anos. O ex-casal está separado desde 2020. Ela conta que Jairinho sempre foi um pai responsável e presente com as crianças, e que ele jamais as agrediu. Mas, segundo ela, as relações com o clã azedaram quando pleiteou a formalização judicial da pensão alimentícia dos filhos dos dois, em outubro passado.

“Ele [Jairinho] me pediu para eu tirar a ação, e eu tirei. Realmente, estávamos nos encaminhando para um acordo. Meu filho precisa fazer uma cirurgia e nós vínhamos acompanhando desde 2018. Minha advogada acertou tudo com ele na semana passada. E ontem [quarta] fui ao presídio e fui surpreendida com a irmã dele [Thalita dos Santos] não me deixando entrar. Tenho o direito de entrar porque tenho carteirinha de companheira dele por causa dos nossos filhos”. Thalita estaria acompanhada da mãe do primeiro filho de Jairinho, Fernanda Abidu Figueiredo, em um horário que a presença das duas costuma ser inusual, de acordo com Ana Carolina. A advogada Alexandra Ullmann, que representa os pais de Jairinho no processo de pensão alimentícia, respondeu em nota: “a senhora Ana Carolina jamais foi impedida de visitar o senhor Jairo na unidade prisional, no entanto, na data mencionada, já haviam duas pessoas aguardando (número limite) que chegaram mais cedo”.

EM FAMÍLIA - Thalita, entre o irmão Jairinho e o pai, Coronel Jairo: altos negócios -
EM FAMÍLIA - Thalita, entre o irmão Jairinho e o pai, Coronel Jairo ./Reprodução

Segundo Ana Carolina, as três cirurgias (uma no ouvido, outra nos testículos e outra relacionada ao tecido linfático, na adenoide) estão sendo feitas por um médico que acompanha a criança desde 2018, e que não aceita plano de saúde. “A internação toda está sendo feita pelo plano. O plano não cobre a cirurgia, mas depois reembolsa. Não vai reembolsar tudo, mas vão ser reembolsados 13 000 reais. Não estou acreditando nisso, acho que realmente eles querem ver até onde eu vou. Até então eu recebia tudo certo, foi só a questão de eu querer legalizar [a pensão alimentícia] que as coisas mudaram”, disse a ex-mulher de Jairinho. Em troca de mensagens obtidas pela reportagem, Coronel Jairo, avô das crianças, rebateu ela. “Ana, por favor não tente colocar por escrito coisas que não são verdadeiras como valores inexistentes. (…) Quanto à cirurgia, por favor procure um médico que atenda pelo plano de saúde que estou me disponibilizando a pagar. Não temos condições no momento de fazer da forma como está impondo”, escreveu o deputado.

Em meio ao imbróglio familiar, nesta semana, Jairinho formalizou a troca da equipe de advogados que o defende no caso do homicídio de Henry. Um dos integrantes do novo time de criminalistas defendeu o goleiro Bruno no processo de assassinato da mãe do filho dele, Eliza Samudio, conforme VEJA antecipou.

O relacionamento de Ana Carolina e Jairinho foi marcado por turbulências. Ao menos duas delas tiveram registro de ocorrência na Polícia Civil do Rio de Janeiro. Em 2014, ela afirmou que, depois de uma discussão, o ex-vereador teve um “ataque de fúria”, desferindo socos e pontapés, a ponto de ser hospitalizada. A outra queixa de violência doméstica foi registrada em 2020 por vizinhos que acompanharam as brigas do casal e cita apenas “lesões corporais”. O político também é réu por tortura de outras duas crianças, casos que VEJA revelou no ano passado, e por violência doméstica contra suas mães, que foram suas namoradas. Desde a morte de Henry Borel na madrugada de 8 de março do ano passado, Ana Carolina havia optado pelo silêncio – segundo ela, uma medida adotada para preservar os filhos.

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VEJA solicitou à mãe dos filhos de Jairinho o orçamento realizado pela equipe médica para conferência da documentação, mas Ana Carolina disse que não iria passar por receio de expor os profissionais e reforçou que os valores totais são os mencionados. A advogada Alexandra Ullmann, que representa os avós paternos das crianças, declarou que Jairinho negou as alegações de Ana Carolina em uma carta, mas também se recusou a repassar o documento argumentando que não está autorizada pelos clientes e que o processo de pensão alimentícia corre sob segredo de Justiça. A defesa dos pais do político cassado se manifestou por meio de nota – leia a íntegra abaixo.

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Nota da advogada Alexandra Ullmann:

1. Meus clientes são pais de Jairo Souza Santos Junior, hoje recolhido à unidade prisional Pedrolino Werling de Oliveira, pai de dois menores de 15 e 9 anos, respectivamente, a quem amam de forma incondicional;

2. Em razão da incapacidade financeira do filho e visando preservar os netos, ajuizaram ação de oferta de alimentos, já em curso, que tramita em segredo de justiça e por esta razão não pode ter seu conteúdo exposto;

3. A Sra. Ana Carolina, mãe dos menores,  já foi citada nos autos e está plenamente ciente do conteúdo do mesmo e não pode alegar qualquer desconhecimento;

4.Meus clientes se responsabilizaram com, além de outras despesas, o pagamento do plano de saúde dos netos, o que resulta ser absolutamente descabida a afirmação de que há emergência médica e a família paterna não quer arcar com os custos que, como se sabe devem ser divididos entre pai e mãe e na ausência de um deles pelos avós (paternos e maternos) na medida de suas possibilidades;

5. A Sra. Ana Carolina jamais foi impedida de visitar o Sr. Jairo na unidade prisional, no entanto, na data mencionada, já haviam duas pessoas aguardando (número limite) que chegaram mais cedo;

O Sr. Jairo Junior declarou em documento de próprio punho serem inverídicos os fatos narrados pela Sra. Ana Carolina, desautorizando a exposição de seus filhos menores em qualquer reportagem para preservar suas imagens e sua higidez física e psicológica. 

Meus clientes, como avós preocupados com seus netos, solicitam, por razões óbvias de preservação das crianças que não são objeto de vingança e sim seres humanos em formação, [que] não seja publicada qualquer matéria que não traduza a verdade dos fatos, expondo duas crianças a situações que certamente abalarão mais ainda sua estabilidade emocional, sob pena de serem tomadas todas as medidas legais cabíveis para preservação dos direitos.

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