Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Caso Bruno: polícia mineira confronta depoimentos

Ainda sem pistas do corpo de Eliza Samudio, investigadores passam o dia esmiuçando contradições em relatos do ex-policial e dos primos do goleiro

Por Andréa Silva, de Belo Horizonte (MG) - 15 jul 2010, 21h30

Investigadores querem intimar loira que seria amante do jogador para interrogá-la em Minas Gerais

Diante da dificuldade de encontrar vestígios do corpo de Eliza Samudio, a polícia mineira se dedicou, nesta quinta-feira, a confrontar depoimentos. Apesar de ainda não ter promovido a acareação entre os dois autores dos principais relatos sobre o seqüestro e a morte da jovem – feitos por dois primos do goleiro Bruno -, os investigadores tentaram esclarecer, ao longo da tarde, contradições nos relatos de duas peças-chave do crime: o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, suspeito de ter estrangulado a jovem, e Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno.

Bola e Sales fiaram simultaneamente dentro do Departamento de Investigações, na capital mineira, ao longo de toda a tarde. Bola deixou o prédio às 20h, algemado, e passou de cabeça baixa rumo ao carro que o levou de volta ao presídio Nelson Hungria, em Contagem.

Sales, único dos suspeitos presos que não está na penitenciária, prestou seu segundo depoimento formal à polícia. O advogado Marco Antônio Siqueira, que o defende, afirmou que ele voltou a dizer aos delegados que Bruno estava no sítio enquanto Eliza foi mantida em cativeiro. Sales também informou que, durante o período de cárcere privado, era impedido de entrar em algumas áreas da casa.

Publicidade

O relato anterior feito por Sales incrimina o goleiro. Ele relatou à polícia que, na noite do assassinato de Eliza, Bruno saiu de carro e teria encontrado com Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e o menor J. no caminho para a casa de Bola.

Os policiais não revelaram o teor dos depoimentos, ou mesmo se Bola, que já se recusara a responder ao interrogatório das outras vezes, deu informações relevantes.

Menor – O adolescente J. concluiu, na tarde desta quinta-feira, seu quinto depoimento. O advogado do menor, Eliezer Jonatas de Almeida Lima, informou que J., desta vez, se recusou a falar. “Ele está desgastado, sofrendo muito. Trata-se de uma pessoa de 17 anos, que não tem amadurecimento para enfrentar o que está passando”, disse. Segundo Almeida Lima, o adolescente está com “síndrome de abstinência, talvez de drogas, talvez da família”.

A mãe do jovem declarou, em um programa de TV, que J. é dependente químico e estava ameaçado de morte quando foi levado, há dois meses, para morar na casa do goleiro Bruno, de quem é primo. Segundo a mulher, que tem a identidade mantida em segredo, J. “já mentiu outras vezes”.

Publicidade

Loira – Investigadores mineiros pediram ajuda à Polícia Civil do Rio para tentar localizar a mulher apontada como amante de Bruno e que teria ajudado a cuidar de Bruninho no período em que Eliza foi mantida em cativeiro. A loira Fernanda Gomes de Castro, que aparece em fotos com o goleiro, será intimada para prestar depoimento à Delegacia de Homicídios de Contagem.

A delegada Alessandra Wilke, que conduz o inquérito sobre o desaparecimento de Eliza na Delegacia de Homicídios de Contagem, ouviu testemunhas na manhã desta quinta-feira. Ela não informa, no entanto, quem são as pessoas interrogadas.

Publicidade