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Caso Bruno: agora, é cada um por si

A defesa de Bruno confirma que ele pediu a Macarrão que assumisse a morte de Eliza. A de Macarrão diz que a resposta foi não

A divulgação, na última edição de VEJA, de uma carta que o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, acusado de sequestrar e mandar assassinar sua amante Eliza Samudio, escreveu ao suposto cúmplice Luiz Henrique Romão, o Macarrão, deixou claro que a fortíssima amizade entre os dois é coisa do passado. Bruno dizia a “Maka” que era chegada a hora de acionar o “plano B”, aquele em que o fiel escudeiro assumiria a culpa pelo crime. Na quinta-feira, em uma das raras vezes em que se manifestou depois de preso, também em carta, o goleiro se eximiu de qualquer participação no enredo de barbáries e referiu-se de forma bem pouco lisonjeira ao ex-braço direito: “Talvez o único erro da minha vida foi ter confiado em algumas pessoas”. De seu lado, Macarrão não pretende assumir coisa nenhuma, nem mesmo a existência do crime. “Não há evidências no processo que comprovem isso”, afirmou seu advogado, Leonardo Diniz. Ele ainda informa que os laços de amizade entre Bruno e Macarrão, que já compartilharam até os mesmos advogados, se romperam em janeiro deste ano. Exatos dois meses antes, o goleiro enviou a carta agora trazida à luz, que foi interceptada na prisão e Macarrão nunca recebeu. Bruno ainda voltaria à carga cerca de um mês depois, como VEJA apurou.

A defesa do goleiro primeiro explicou que a mensagem do plano B, em que Bruno pede três vezes perdão ao amigo, era para ser “o término de um relacionamento sexual”. Mais tarde, corrigiu a informação. Era um rompimento “no âmbito da amizade”. Seja como for, a alegação é posta em xeque por outro bilhete que passa bem longe de uma situação de ruptura definitiva de laços. Enviado um mês depois do primeiro e igualmente interceptado, o texto de sete linhas, publicado acima, contém renovadas declarações de afeto de Bruno a Macarrão: “Maka, confio em você, meu irmão! Hoje, amanhã e para todo sempre. Te amo, cara”, escreveu o goleiro. A autenticidade de ambos os documentos foi atestada por dois peritos. O próprio Bruno admitiu ser o autor da primeira carta, que tentou fazer chegar às mãos de Macarrão por meio de outro detento da Penitenciária Nelson Hungria, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde está preso desde julho de 2010. A acusação vai pedir ao Ministério Público Estadual de Minas que a mensagem seja anexada ao processo. Bruno e Macarrão, que já dividiram uma cela, permanecem cada qual em seu espaço na prisão. A ordem ali é que não se esbarrem na hora do banho de sol sob nenhuma hipótese. Eles só estarão frente a frente de novo no julgamento, que não tem data para começar.