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Carta ao Leitor: A escolha certa

A sustentabilidade é a próxima fronteira da inovação e será um dos principais motores de negócios nas próximas décadas

Por Da Redação Atualizado em 23 abr 2021, 10h33 - Publicado em 22 abr 2021, 19h00

Em 1992, sob os olhares atentos de todo o planeta, o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, popularmente conhecida como Eco-92. Participaram do encontro representantes de 179 nações. Entre eles, nomes estelares como o presidente dos Estados Unidos, George Bush; o da França, François Mitterrand; o primeiro-ministro alemão Helmut Kohl e líderes religiosos como o dalai-la­ma. Ali, pela primeira vez, por meio da chamada Agenda 21, foram estabelecidas as metas de sustentabilidade a caminho de um mundo mais limpo e responsável. Dadas as suas dimensões, suas riquezas naturais e a força mítica da Amazônia, o país usufruía uma posição de liderança global no tema. Bons tempos. Nos últimos dois anos, depois de décadas de relevante atuação internacional, tudo mudou: antes visto como herói e modelo para outras nações, o Brasil começou a ser encarado como um dos grandes vilões mundiais. Lamentavelmente, essa mudança de papel foi resultado direto de uma escolha do presidente Jair Bolsonaro. Embalado por uma postura belicosa e excessivamente emocional, o governo brasileiro passou a enxergar inimigos imaginários e conspirações que estariam, na verdade, tramando uma invasão da Amazônia. Tal “terraplanismo ambiental” não poderia vir em pior hora. Esses delírios passaram a ditar nossa política na área exatamente no momento em que empresas e governos do mundo inteiro aplicavam imensos volumes de dinheiro no chamado capitalismo verde. Resumo da ópera: a transformação do simpático Brasil em pária internacional foi um passo em falso, não apenas do ponto de vista ambiental e diplomático, mas também do econômico.

Baseada em dados da ONU, uma reportagem de VEJA desta edição revela que 26 trilhões de dólares serão acrescentados às finanças globais até 2030, caso o mundo tome medidas concretas na busca pela sustentabilidade e contra o aquecimento global. Felizmente, graças à pressão feita por autoridades internacionais e pelos próprios produtores brasileiros (que sabem a importância e a necessidade desse movimento), o próprio Bolsonaro dá indícios de — finalmente — abandonar suas convicções mais radicais. Por enquanto, é apenas retórica, sujeita a recaídas e outros rompantes, mas fica a torcida para que o novo discurso seja aplicado na prática. Ao longo dos últimos anos, VEJA tem publicado uma série de matérias sobre o assunto, ora denunciando os campeões do desmatamento, ora aplaudindo as boas iniciativas do agronegócio, como mostram as capas destacadas acima. Na nossa visão, não há mais dúvida de que o respeito ao meio ambiente é o único caminho possível, não apenas para a recuperação da boa imagem brasileira no exterior, mas especialmente para o nosso crescimento econômico. A sustentabilidade é a próxima fronteira da inovação e será um dos principais motores de negócios nas próximas décadas. Quem não seguir essa receita estará, infeliz e tragicamente, à margem da civilização. E terá imensos prejuízos com essa escolha.

Publicado em VEJA de 28 de abril de 2021, edição nº 2735

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