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Câmera de UPP da Rocinha parou de funcionar no dia que pedreiro desapareceu

Dezesseis dias após o desaparecimento, polícia encontrou o corpo de uma mulher na favela

Por Da Redação - 30 jul 2013, 21h08

As câmeras da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha pararam de funcionar no mesmo dia que o pedreiro Amarildo de Souza foi levado por policiais “para averiguação”, em 14 de julho. Desde então, ele está desaparecido. O relatório da empresa Emive, responsável pelas duas câmeras instaladas na UPP, que aponta o defeito nos equipamentos justamente no dia do sumiço do pedreiro, foi obtido pelo RJTV, da Rede Globo. Das 80 câmeras da Emive instaladas na Rocinha, apenas as duas da sede da UPP apresentaram problemas.

No fim da tarde desta terça-feira, PMs encontraram em um valão da Rocinha um corpo em estado avançado de decomposição. A notícia levou parentes do pedreiro à Rua do Valão, onde o corpo foi encontrado, mas logo foi constatado que tratava-se do cadáver de uma mulher, identificada como Gabriela da Silva Santos, de 31 anos. “Não é o Amarildo, o corpo é de uma mulher”, disse a sobrinha do pedreiro, Michelle Lacerda.

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A localização de um corpo, que recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em outubro de 2012, é mais uma prova de que a pacificação não livrou os moradores da favela do julgo dos traficantes que durante décadas dominam a favela, na Zona Sul do Rio.

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Vigilância – Em nota, a Polícia Civil informou que as câmeras de segurança da Rocinha foram encaminhadas à perícia e que os aparelhos de GPS das viaturas estão sendo analisados. Também foram realizadas buscas na Zona Portuária. O delegado responsável pela investigação, Orlando Zaccone, deverá concluir nesta quarta um relatório sobre o caso, que será encaminhado para a Delegacia de Homicídios.

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Após o sumiço do pedreiro, os gritos de “Cadê o Amarildo” tornaram-se frequentes em manifestações realizadas no Rio contra o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB). “A principal suspeita recai sobre os policiais da UPP. Não temos até o momento nenhuma novidade que mude o rumo da investigação. O que se tem clareza é que ele sumiu após a intervenção dos policiais da UPP”, disse o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio.

A família de Amarildo, pai de seis filhos, continua morando na Rocinha e organiza um protesto para quinta-feira, 1º de agosto. Nesta quarta-feira, um dos filhos do pedreiro deve fornecer material genético para exame de DNA. O objetivo é verificar se marcas de sangue encontradas por peritos no banco traseiro de uma das viaturas da UPP da Rocinha é de Amarildo.

(Com Estadão Conteúdo)

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