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‘Brasil Nunca Mais’ expôs os métodos da ditadura brasileira

O projeto Brasil Nunca Mais, que teve dom Paulo Evaristo Arns como um de seus idealizadores, expôs os métodos de tortura da ditadura brasileira

Por Vagner Magalhães - Atualizado em 14 dez 2016, 13h43 - Publicado em 14 dez 2016, 12h37

“As angústias e esperanças do povo devem ser compartilhadas pela Igreja. Confiamos que esse livro, composto por especialistas, nos confirme em nossa crença no futuro”. Assim começa o prefácio do livro ‘Brasil Nunca Mais’, assinado pelo então cardeal arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns.

Lançado em 1985, o livro foi a forma encontrada de dar publicidade a um extenso trabalho documentação dos crimes cometidos durante o regime militar brasileiro (1964-1985), que expôs os métodos de tortura da ditadura brasileira.

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O projeto foi idealizado por dom Paulo, pelo reverendo presbiteriano Jaime Wright e pelo o rabino Henry Sobel, que em 1975 fizeram um ato que reuniu cerca de 8 mil pessoas a praça da Sé em memória do jornalista Vladimir Herzog, morto nos porões da ditadura. A versão oficial dizia que tratava-se de um suicídio. O ato foi considerado a maior concentração popular contra o regime, até então.

Durante o período de pesquisa, foram colhidas informações em mais de 1 milhão de páginas, obtidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar. O material permitiu que se conhecesse a extensão da repressão política no Brasil, no período entre 1961 e 1979. Cerca de 30 pesquisadores realizaram o trabalho, que durou cerca de seis anos.

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No seu prefácio, dom Paulo classifica a tortura como desumana. “É o meio mais inadequado para levar-nos a descobrir a verdade e chegar à paz”.

Na ocasião do lançamento, em uma entrevista ao ‘Jornal do Brasil’, dom Paulo disse que o conteúdo pretendia ser um registro “histórico e objetivo, sem qualquer ânimo revanchista”.

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