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Brasil deve permanecer no Acordo de Paris, diz Ricardo Salles

Acompanhando as falas do presidente eleito, futuro ministro do Meio Ambiente destacou que outros países devem respeitar a autonomia brasileira

O futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse à Reuters que o Brasil deve permanecer no Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, mas que o mundo também precisa respeitar a autonomia do país para estabelecer suas políticas ambientais.

Salles foi anunciado no último domingo 9 pelo presidente eleito Jair Bolsonaro que, durante a campanha eleitoral, disse pensar em retirar o Brasil do Acordo de Paris, assinado em 2015, composto por metas para redução da emissão de gases causadores do efeito estufa.

Desde sua eleição, Bolsonaro vem amenizando o tom das declarações, dizendo que o país pode permanecer no acordo para o clima se forem cumpridas certas condições. Apesar disso, o futuro presidente admitiu ter participação na desistência do país em sediar a COP 25, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, alegando uma questão relativa à soberania da Amazônia.

Na entrevista de segunda-feira 10, Salles disse: “A minha tendência… é dizer que nós não devemos deixar o acordo.”.

“Mas, por outro lado, isso também não significa que nós devemos aceitar toda e qualquer sanção, restrição e programa de maneira indiscutível. Todos os países têm que respeitar a autonomia brasileira para gerir seu território e decidir suas políticas do meio ambiente internamente”, acrescentou, alinhado com as falas do futuro governante.

Como parte do Acordo de Paris, o Brasil assumiu o compromisso de cortar as emissões em 37% até 2025 e em 43% até 2030, apesar de ainda não ter apresentado um plano completo sobre como atingir essas metas.

Ricardo Salles é advogado e um dos criadores do Movimento Endireita Brasil (MEB). Concorreu a deputado federal nas eleições deste ano, mas não se elegeu. Também foi diretor da Sociedade Rural Brasileira (SRB), entidade em permanente atrito com os círculos ambientalistas. 

Em novembro de 2017, o futuro ministro foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por prática de improbidade administrativa. De acordo com o MP, ele teria modificado mapas de zoneamento do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) da Várzea do Rio Tietê para beneficiar empresas.