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Bope passa a usar ‘ônibus inteligente’ em favelas

Equipado com câmeras de longo alcance, ilhas de edição de vídeo e computadores conectados à internet, veículo ajudou a mapear a Rocinha

Por Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro 29 dez 2010, 17h43

Após um ano e meio sem entrar na favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizou na manhã desta quarta-feira uma operação para mapear nova topografia da comunidade, que recentemente foi remodelada pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal.

A operação serviu também para mostrar algumas diferenças em relação ao novo perfil que a polícia tenta imprimir às ações policiais. Além do polêmico blindado ‘caveirão’, criticado por órgãos de defesa dos direitos humanos, o Bope usou, pela primeira vez, para valer, um ônibus de apoio ao serviço de inteligência. A nova viatura, testada anteriormente em uma incursão na favela do Andaraí, é totalmente climatizada e, em vez de armas, aponta para a favela com três câmeras, com alcance de mais de três quilômetros e capacidade de visão noturna. Há ainda uma câmera interna e uma ilha de edição – material importado de Israel.

“No monitor, podemos fazer a identificação de suspeitos, aproximar a imagem e voltar quadro a quadro para tirarmos qualquer dúvida”, explicou o capitão Machado, que estava na operação do sistema de vídeo na parte da manhã.

Além dos equipamentos importados, o ônibus também conta com cinco computadores e dois notebooks, para rastreamento de informações de veículos e averiguação da situação criminal de suspeitos. Os computadores estão conectados à Internet através de tecnologia 3G e da rede Wi-fi da própria comunidade. Para que não haja risco de invasão dos computadores da PM, as máquinas estão protegidas por um moderno sistema antivírus desenvolvido especialmente para a corporação.

Para um dos comandantes da operação desta manhã, o capitão Ivan Blaz, a nova viatura diminuirá o tempo e o risco das incursões nas favelas. “Cada vez que nós entramos aqui a configuração da comunidade está diferente. Com a utilização desse ônibus nós temos um ganho estratégico, porque podemos direcionar os nossos homens com mais inteligência”, justificou Blaz.

Na ação desta quarta-feira, foram apreendidas duas toneladas de maconha em uma casa na localidade do Laboriaux. Dois homens foram presos. Um deles estava na casa onde foi encontrada a droga e, outro, com uma mochila carregada de munição para fuzil calibre 7.62.

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