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Bope encontra duas toneladas de maconha na Rocinha

Tropa de elite da PM do Rio utiliza ônibus israelense, com câmeras, para mapear becos da favela. Operação não é de ocupação, como no Alemão

Por Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro 29 dez 2010, 09h53

Na primeira operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) desde a tomada do Complexo do Alemão, 80 policiais apreenderam, na manhã desta quarta-feira, o que acreditam ser duas toneladas de maconha. A droga estava na favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio. No início do dia, por volta das 8h, os ‘homens de preto’, que desde a terça-feira têm novo comandante, subiram o morro para averiguar denúncias sobre esconderijo de traficantes. Até as 12h30, dois homens tinham sido presos.

Inicialmente, os policiais informaram que tratava-se de uma tonelada da droga. À medida que o material foi sendo recolhido, os policiais corrigiram a informação. Esta é a primeira operação também sob o comando do tenente-coronel Wilman René Alonso, que substituiu Paulo Henrique Moraes – o ‘zero um’ da tropa que ficou famoso depois das entrevistas sobre a ocupação do Alemão.

A droga foi encontrada em uma casa na localidade conhecida como Laboriaux. Na casa estava um dos homens presos, Leandro da Costa Rocha, que foi levado para a 15ª DP (Gávea). A droga foi transportada para a sede da Polícia Federal no Rio, onde há condições de segurança para armazenar a grande quantidade de tabletes e sacos.

Por volta das 10h, uma granada foi lançada contra os policiais e explodiu. Não houve feridos e, segundo a polícia, não houve tiroteio. Pouco depois do meio-dia, mais um homem foi preso, na localidade do Valão. Felipe de Miranda, de 19 anos, estava com uma mochila carregada com munição para fuzil calibre 7.62, usada pela PM e pelos traficantes. A polícia também apreendeu um fuzil e duas pistolas de paintball que imitam armas de verdade.

O novo comandante informou que, apesar da expectativa de que em breve a Rocinha seja ocupada de forma definitiva, como ocorreu nas favelas da Penha, a operação desta quarta-feira não é de ocupação permanente.

Os policiais do Bope utilizam, na ação da Rocinha, um blindado – o ‘caveirão’ – e um ônibus israelense equipado com câmeras, para mapear os becos e vielas da área. As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Rocinha foram suspensas. Como as intervenções mudam o cenário e a forma de deslocamento no morro, o Bope pretende, também atualizar informações sobre a composição das possíveis rotas de fuga e pontos de entrada para uma possível – e anunciada – operação de ocupação, a exemplo do que ocorreu na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

Movimentação – O clima é tenso na favela já há alguns dias, segundo moradores. Desde a ocupação do Alemão, são vistos com frequência homens estranhos nas ruas da Rocinha – supostamente fugitivos do Comando Vermelho abrigados pelo traficante Nem, que comanda a facção Amigos dos Amigos (ADA), rival do CV. A operação desta quarta-feira surpreendeu turistas que pretendiam visitar a favela, famosa também no exterior. No momento em que policiais desciam com a maconha apreendida, dois homens e uma mulher, visivelmente assustados, chegavam para tentar subir a favela e foram aconselhados a desistir do passeio.

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