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Bombeiros vistoriam terceira barragem que corre risco de desabamento

Segundo o assessor da corporação, equipes foram enviadas à contenção para monitorar se há possibilidade de ela ruir como as outras duas que devastaram o distrito de Bento Rodrigues, no interior de Minas, nesta quinta-feira

O Corpo de Bombeiros do Estado de Minas Gerais informou na manhã desta sexta-feira que há riscos de desmoronamento de uma terceira barragem da mineradora Samarco, situada na cidade de Mariana. Outras duas contenções romperam na tarde desta quinta-feira, causando a morte de pelo menos duas pessoas e devastando o vilarejo de Bento Rodrigues. Segundo o assessor de comunicação dos Bombeiros, major Rubem da Cruz, equipes técnicas foram enviadas ao local para fazer a vistoria. Em nota, a Samarco informou que há quatro barragens no local.

O major também afirmou que há possíveis treze vítimas ainda não encontradas no vilarejo que foi completamente inundado por um “mar de lama”. O exército está no local ajudando na busca por mais desaparecidos junto com os Bombeiros. Segundo o último boletim do Hospital Monsenhor Horta, em Mariana, seis pessoas que chegaram da tragédia foram atendidas e já receberam alta. Apenas uma permanece internada. A prefeitura de Mariana confirmou até agora duas mortes – uma delas do funcionário da Samarco Claudio Fiuza, de 41 anos, que teve um mau súbito na hora do incidente.

A tragédia pode se transformar na mais grave na área ambiental do Estado. Até uma igreja histórica do século 18 e uma escola de ensino fundamental teriam sido atingidas. “Uma avalanche de lama destruiu casas, escola, igreja, posto de saúde e carros. Muitas famílias estão desalojadas e sem notícias de seus familiares. O resgate é difícil e somente com helicópteros é possível chegar às áreas destruídas”, disse o secretário de Saúde de Mariana, Juliano Duarte. “Muitos desabrigados estão alojados provisoriamente em uma escola. É uma das cenas mais tristes que já vi”, lamentou.

O prefeito de Mariana, Duarte Junior, descreveu a cena da tragédia como a “visão do interno”. “O distrito desapareceu, sumiu debaixo da lama”, afirmou. Membros do Ministério Público do Estado de Minas também estão no local para acompanhar o resgate e apurar o que causou o incidente. Segundo o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto, coordenador de Meio Ambiente do MP, a situação é catastrófica. “Ainda não há condições de saber o número total de mortos”, disse.

Em nota oficial, o governador Fernando Pimentel (PT) afirmou ter recebido com “consternação a informação sobre o rompimento da barragem”. Já a presidente Dilma Rousseff foi informada do acidente pelo ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, e colocou o Exército, o Centro de Desastres e a Força Nacional à disposição para ajudar no socorro.

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(Com Estadão Conteúdo e agência Brasil)