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Bombeiros localizam carteira de Campos em cratera aberta por avião

Trabalho das equipes de resgate se estendeu por toda a madrugada e prossegue nesta quinta. IML já analisa corpos das vítimas

(Atualizado às 10h38)

As buscas no local do acidente que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) se estenderam durante toda a madrugada e prosseguem nesta quinta-feira. Os bombeiros concentram o trabalho agora na cratera de três metros de profundidade e dez de diâmetro aberta pela queda da aeronave. A fuselagem da aeronave e fragmentos dos corpos ficaram enterrados no local. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros Marcos Palumbo, os agentes tiveram de escavar em mais três metros o buraco. No local, foram encontrados objetos pessoais das vítimas, como tablets, uma pulseira e a carteira de Eduardo Campos. Nessa cratera estão fragmentos da cabine da aeronave – a maior parte deles, enterrados no solo. Segundo o comandante Palumbo, dos Bombeiros, “uma retroscavadeira foi usada para limpar a região próxima ao que seria a cabine, onde encontramos uma série de partes de corpos e a carteira que o Instituto de Criminalística comprovou ser de Campos”.

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Peritos da Polícia Federal fazem um escaneamento do local com equipamentos de raio-x, para tentar reconstituir o acidente. O perito Antônio Nogueira explica que o objetivo é comparar a atual situação do imóvel com a estrutura anterior ao acidente, o que pode ajudar os investigadores a entender o que aconteceu. Nogueira explicou ainda que será feita uma nova varredura em busca de restos mortais, mas 95% do material já foi encontrado.

'QG' dos Bombeiros no bairro onde caiu o avião ‘QG’ dos Bombeiros no bairro onde caiu o avião

‘QG’ dos Bombeiros no bairro onde caiu o avião (/)

Maria José Fonseca, de 73 anos, mora no prédio em frente ao local da queda do avião. Ela conta que o deslocamento de ar quebrou a vidraça da varanda de seu apartamento. Apesar do forte cheiro de querosene que ainda persiste no ar, ela passou essa noite em casa. “Fechei a porta de casa da sala e dormi. O piloto foi um herói de ter desviado do meu predio”, afirmou.

Uma nova varredura será feita pelos bombeiros nos imóveis vizinhos ao local do acidente para permitir a liberação deles pela Defesa Civil. “Temos fragmentos de corpos sedimentados na terra e não podemos fazer o reconhecimento sem teste de DNA. É um quebra-cabeça que será montado pela equipe do Instituto Médico Legal (IML)”, diz Palumbo. Parte dos restos mortais das vítimas chegaram ao IML de São Paulo na noite de quarta-feira, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Nesta quinta-feira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciará o cronograma para o traslado do corpo de Campos até Pernambuco, onde será enterrado no túmulo do avô, Miguel Arraes, que também morreu num 13 de agosto, há nove anos. Ainda segundo Nogueira, três viagens ao IML já foram feitas para o transporte dos restos mortais, que serão periciados e submetidos a exames de DNA.


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Segundo a SSP, parte dos restos mortais chegou às 20 horas ao IML central, em Pinheiros, onde era aguardada por uma equipe de trinta profissionais de perícia. Quatro peritos da Polícia Federal apoiam os trabalhos. A realização dos exames de DNA ficará sob a responsabilidade de dez peritos criminais do Instituto de Criminalística, especialistas em genética forense. A equipe de peritos localizou na noite desta quarta-feira a caixa-preta do jato em meio aos destroços. O material será analisado pela Aeronáutica – investigações de acidentes aeronáuticos são conduzidas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Não há prazo para conclusão da perícia. A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar as causas do acidente aéreo. Em outra frente, o delegado da Polícia Civil Aldo Galiano, que comanda a equipe de buscas, afirmou que a equipe de resgate vasculha dezesseis áreas diferentes em Santos.


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Acidente – O jato decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, às 9h21, e perdeu contato por volta das 10h. Segundo o Comando da Aeronáutica, a aeronave seguia para o Guarujá (SP), mas, quando se preparava para pouso, arremeteu devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com a aeronave.

Além de Campos, também morreram no acidente Pedro Valadares Neto, ex-deputado e assessor particular do candidato; Carlos Augusto Ramos Leal Filho (o Percol), assessor de imprensa; Marcelo de Lyra, cinegrafista; e Alexandre Severo, fotógrafo. As outras duas vítimas são os pilotos da aeronave Geraldo da Cunha e Marcos Martins.

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