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Bombeiros encontram 10ª vítima de desabamento e encerram buscas

Corpo era o último que restava sob os escombros do prédio na Zona Leste da capital, perícia começará a investigar no local o que causou a queda da construção

Após quase 60 horas de buscas, o Corpo de Bombeiros encontrou, no fim da tarde desta quinta-feira, o corpo da décima vítima do desabamento de um prédio em obras no bairro São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. O maranhense Antônio Welington Teixeira Silva, de 20 anos, foi o último dos operários desaparecidos a ser retirado dos escombros, sem vida. Nesta manhã, uma nona vítima havia sido encontrada.

Após a retirada do corpo, os bombeiros formaram uma roda, se abraçaram e fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas do desabamento. “Não há mais relato de operários que poderiam estar debaixo dos escombros e agora vamos entregar a área para a perícia da Polícia Científica”, informou o major do Corpo de Bombeiros, Anderson Lima, encerrando o trabalho de busca.

Situado na Avenida Mateo Bei na altura do número 2.300, o edifício de dois andares desmoronou nesta terça-feira, quando 36 pessoas trabalhavam no local. Vinte e seis foram resgatados com ferimentos.

Desabamento na Zona Leste

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Segundo a Prefeitura de São Paulo, a obra estava irregular por problemas de documentação e chegou a ser embargada. Os responsáveis foram multados duas vezes.

O projeto entregue à administração municipal para solicitação de alvará mostrava que a construção deveria ter apenas um pavimento; porém foram construídos dois.

Em depoimento para a polícia, operários contaram que a obra estava parada desde sábado porque apresentava riscos e que o mestre de obras não confiava na estrutura que havia sido projetada para a construção.

Durante a operação de resgate das vítimas, trabalharam no local 270 homens do Corpo de Bombeiros e cães farejadores que ajudaram a localizar as vítimas presas nos escombros.

Investigações – A polícia ainda tenta descobrir alguma informação que leve aos responsáveis pelo desabamento e ao engenheiro que tocou a construção do prédio. Ele deve ser chamado a depor, assim como representantes da empresa Torra Torra – que alugaria o prédio -, da Salvatta Engenharia – contratada pelo magazine para fazer reformas no imóvel -, o dono do prédio e um fiscal da prefeitura de São Paulo.

Quem for responsabilizado deve responder por homicídio culposo (sem intenção de matar) e lesão corporal. “O que vai ser questionado é se a Salvatta fez alguma coisa que abalou o projeto ou se a empresa anterior cometeu alguma falha na estrutura”, disse o delegado responsável pelo caso, Luís Carlos Uzelin.

O delegado disse também que houve falha da Prefeitura de São Paulo. Segundo ele, se a empresa não cumpriu a ordem de embargo emitida pela prefeitura, caberia ao poder público acionar a Justiça e a polícia para que o trabalho fosse interrompido.