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Bolsonaro diz ter “paraquedas reserva” para garantir Auxílio Brasil

Presidente, que está em Roma para encontro do G20, não detalhou, no entanto, o plano B para não causar "rumor" no mercado, ao qual chamou de "nervosinho"

Por Da Redação Atualizado em 30 out 2021, 17h43 - Publicado em 30 out 2021, 17h27

Depois de participar do primeiro dia da reunião de cúpula de líderes do G20, em Roma, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse à jornalistas que o governo tem “um paraquedas reserva” quando questionado sobre o financiamento do Auxílio Brasil. O programa social dará lugar ao Bolsa Família. A previsão do executivo é pagar 400 reais a cerca de 17 milhões de famílias entre dezembro deste ano e do próximo, porém, a medida depende da PEC dos Precatórios pelo Congresso Nacional para abertura de espaço no Orçamento. Embora não tenha especificado ou tão pouco dado detalhes, Bolsonaro afirmou que já tem um plano B para poder viabilizá-lo no caso do parlamento não dar aval a medida.

Durante a rápida entrevista, na porta do Consulado Brasileiro na capital italiana, o presidente deu esta resposta às perguntas sobre o risco da PEC dos Precatórios não passar e o programa ser inviabilizado: “Sou paraquedista, sempre tenho um paraquedas comigo, mas com muita responsabilidade. Quem raciocina e tem inteligência sempre tem um plano B”, concluiu, acompanhado do ministro da Cidadania, João Roma. Em seguida, Bolsonaro afirmou não poder especificar a alternativa porque isso poderia causar “rumor no mercado”, o qual fez críticas: “Parece até que somos um time jogando contra o outro. Estamos no mesmo time. O mercado, toda vez nervosinho, atrapalha em tudo o Brasil”.

Embora afirme ter um plano B, o presidente se mostrou preocupado com o tempo hábil para aprovar a PEC dos Precatórios ainda este ano. “Se for pagar essa dívida (no caso, dos precatórios), os ministérios praticamente ficam sem recursos para 2022”, afirmou. Bolsonaro ainda deixou transparecer sua insatisfação com ausência de Brasília, por alguns dias, do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-Minas). “Acho que preocupa. O presidente do Senado vai estar em Glasgow (para a COP26) na próxima semana, e nós nos preocupamos porque o ano está acabando”, disse. Havia expectativa que a PEC fosse votada nesta semana na Câmara dos Deputados, porém, com o quórum baixo, a votação ficou para depois do feriado. Só depois de aprovada na Câmara é que a matéria segue para o Senado.

A PEC dos Precatórios é a aposta-chave do governo para bancar o benefício maior durante o ano eleitoral. A proposta visa estabelecer um limite para o pagamento dos precatórios, as dívidas judiciais da União, de cerca de 40 bilhões de reais o ano que vem. Além disso, a proposta prevê a alteração na correção do teto de gastos, para aumentar o espaço orçamentário. De acordo com a proposta do relator da matéria, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), a correção da âncora fiscal seria feita com a inflação acumulada entre janeiro a dezembro e não com o período de julho a junho, como é atualmente. Segundo o Ministério da Economia, caso aprovada, a PEC abre um espaço de 91,6 bilhões de reais para gastos em 2022.

G20

Ao falar sobre a sua participação no primeiro dia do encontro de líderes do G20, o presidente declarou que não iria tecer comentários para não ser mal interpretado sobre o plano dos líderes presentes no evento na Itália em aumentar a vacinação e garantir doses de forma equilibrada para todos os países. “Outros chefes de Estado falaram, me plagiando, mas tudo bem, que teríamos que conviver com o vírus muito tempo. Outros dizendo que a vacina tem que ser um bem universal, sem lucro em cima dela. Não vou dar juízo de valor de minha parte”, declarou. E, na sequência, deu sua versão sobre o enfrentamento do país à pandemia. “O Brasil fez seu dever de casa e não mediu esforços para atender os mais necessitados”, propagou.

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