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Bloco Cordão da Bola Preta arrasta 630.000 foliões em seus 102 anos

O centenário bloco do Rio de Janeiro começou às 8h, na Avenida Antônio Carlos

Por Da Redação - 22 fev 2020, 17h13

Ao completar 102 anos de história, o Cordão do Bola Preta, o mais antigo bloco do Rio de Janeiro, arrastou pelo centro da capital fluminense 630.000 foliões, de acordo com estimativa da RioTur. Para acompanhar o mais antigo bloco da cidade, os foliões levantaram cedo. A concentração estava marcada para as 8h, na Avenida Antônio Carlos.

“Mais um Carnaval do Bola Preta sempre com aquele lema: tradição, paz, amor e folia. Pedimos a todos respeito ao seu semelhante. Carnaval é festa”, declarou o presidente do bloco, Pedro Ernesto, ao autorizar o movimento do trio elétrico.

Como tradicionalmente ocorre, o cortejo teve início com a execução de Cidade Maravilhosa, samba que é conhecido como um hino popular do Rio de Janeiro. Na sequência, veio o hino do bloco, a Marcha do Cordão da Bola Preta, composta Nelson Barbosa e Vicente Paiva. “Quem não chora não mama, segura meu bem a chupeta. Lugar quente é na cama ou então no Bola Preta”, diz o refrão.

“Todo ano estou aqui linda e maravilhosa. É o bloco mais tradicional do Rio. Se não tiver Cordão da Bola Preta, acabou o Carnaval”, decretou a auxiliar de creche Marta Veloso.

Em cima do carro de som, distribuíram acenos a cantora Maria Rita, madrinha do bloco; o carnavalesco Neguinho da Beija-Flor, padrinho; a atriz Leandra Leal, porta-estandarte há mais 10 anos; e a cantora Emanuelle Araújo, que assumiu o microfone para uma participação especial. A atriz Paolla Oliveira é rainha do bloco pelo segundo ano consecutivo.

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Leandra Leal discursou sobre o respeito às mulheres, tema encampado pelo bloco. “Estamos em um momento lindo para ser mulher. Não só aqui no Cordão da Bola Preta, mas na avenida também. E é isso, vamos curtir Carnaval. O Carnaval tem uma força feminina, está na tradição. Então, acho que tem que se fantasiar e celebrar, tem que se permitir”, disse.

História

O Cordão da Bola Preta foi fundado em 1918 e é o último representante remanescente dos antigos cordões carnavalescos que existiam no Rio de Janeiro no início do século 20. Atravessou décadas se dedicando a preservar as músicas de Carnaval como marchinhas, samba-enredos, entre outros. Na década de 1990, quando a capital fluminense viveu um esfriamento do Carnaval de rua, o Cordão do Bola Preta era um dos únicos que desfilava no centro da cidade.

Uma das principais marcas do desfile é a criatividade dos foliões, que prepararam fantasias exclusivas para homenagear o bloco. O coordenador de loja Felipe Mello marcou presença pela quinta edição consecutiva. “Cada ano é uma fantasia diferente, mas sempre inventando algo relacionado ao bloco. Nesse ano estou de palhaço, nas cores do Cordão do Bola Preta. É a tradição do Rio de Janeiro. A energia aqui é inexplicável”, disse.

A confeiteira Flávia Vieira contou que há 10 anos participa do desfile e disse que nem a ameaça de chuva lhe tirou da festa. “É um ambiente familiar. As pessoas que vêm são maduras. Não tem briga, é super tranquilo. Me sinto super a vontade. E tem que vir de preto e branco. O negócio é causar e com muito glitter”.

(Com Agência Brasil)

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