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Black Blocs são presos por depredação em protestos

Operação da Polícia Civil usou as redes sociais para chegar aos suspeitos, que vão responder por formação de quadrilha armada e incitação à violência

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro 4 set 2013, 12h16

(Atualizado às 16h10)

A Polícia Civil prendeu nesta quarta-feira três jovens acusados de depredação de patrimônio durante protestos no Rio de Janeiro. O grupo admitiu que é responsável por administrar a página “Black Bloc RJ” no Facebook, um dos canais usados para convocar manifestações e defender atos de depredação como forma de manifestação. Um deles, de 21 anos, disse ser um dos líderes do movimento. Outros dois menores foram apreendidos. Um quarto acusado, maior de idade, é considerado foragido e tem mandado de prisão expedido pela Justiça. Segundo a polícia, ele estaria na Bolívia no momento. Os nomes dos suspeitos não foram revelados, pois o processo corre em segredo de Justiça.

As prisões ocorrem a três dias de um grande protesto programado para todo o Brasil e com desdobramentos anunciados para o Rio de Janeiro. Forças de segurança e autoridades civis e militares estão empenhadas para evitar que o 7 de Setembro seja marcado por mais protestos e destruição na cidade. Todos os detidos responderão por formação de quadrilha armada – crime inafiançável – e incitação à violência.

Na página “Black Bloc RJ” foi publicado, por volta das 15h, uma mensagem avisando que os administradores estavam detidos e “sendo levados para Bangu” (onde fica o complexo penitenciário de Gericinó). O autor do texto dizia que, a partir de agora, não haveria mais atualizações. Por volta das 15h30, na verdade, os presos foram levados para o Presídio Juíza Patrícia Lourival Acioli, em São Gonçalo, na Região Metropolitana.

“Eles usavam a rede social para convocar pessoas a fazer parte do movimento e ensinavam a criar artefatos perfurantes para serem usados nas manifestações. Não há dúvidas de que faziam parte de uma quadrilha”, declarou a chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, em coletiva de imprensa no fim da manhã. Um deles ainda responderá por pedofilia, porque foram encontrados em sua casa materiais pornográficos com menores de idade.

Segundo a Polícia Civil, todos os suspeitos são integrantes de famílias de classe média e foram identificados nas redes sociais, a partir de investigações da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Com eles, foram recolhidos ainda computadores, máscaras do filme V de Vingança, máscaras de gás, uma faca e um artefato caseiro feito com pregos – que, segundo Martha Rocha, poderia ser usado para agredir policiais ou outros manifestantes.

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Ataque de hackers – O Ministério Público do estado disse por e-mail, às 15h27 desta tarde, que o site da instituição foi invadido por hackers. “O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informa que está sofrendo ataques na internet desde terça-feira (03/09). O grupo de ativistas que se autodenomina Anonymous assumiu a autoria das ações, mas, até o momento, não há como precisar quais são os responsáveis por esses ataques. O site da instituição foi retirado temporariamente do ar, como medida de proteção. O MPRJ esclarece que não houve comprometimento de seu banco de dados. A Secretaria de Tecnologia da Informação e de Comunicação (STIC) está tomando todas as providências cabíveis para proteção e restabelecimento desses serviços.”

Mascarados – Os Black Blocs são identificados nas manifestações pelo uso de roupas pretas e por agir sempre com os rostos cobertos. Uma determinação da Justiça, obtida no início da semana pelo Ministério Público, permite à polícia exigir a identificação de qualquer mascarado nas ruas. Em um protesto chamado de “Baile de Máscaras”, na Cinelândia, Centro do Rio, na noite de terça-feira, policiais pediram aos que mascarados mostrassem os rostos e apresentassem documento de identificação. Dois jovens que se recusaram a colaborar foram detidos.

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