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Bicicletas elétricas estão liberadas no Rio

Decreto da prefeitura iguala esse tipo de veículo às bicicletas convencionais e estabelece limite de 20km/h. Ciclistas poderão usar ciclovias e vias públicas

As bicicletas elétricas estão, desde a manhã desta segunda-feira, autorizadas a circular pelas ruas e ciclovias do Rio. Depois da polêmica sobre a apreensão de um desses veículos e das multas aplicadas a um ciclista, na semana passada, o prefeito Eduardo Paes publicou um decreto no Diário Oficial do Município do Rio, nesta segunda, com as regras para uso desse tipo de bicicleta. As elétricas estão, para efeito de normas de trânsito, enquadradas na mesma categoria das bicicletas normais, e devem respeitar o limite de 20 km/h em vias públicas.

A decisão servirá, na prática, para que os usuários desse tipo de transporte se desloquem sem receio de repetir a história do cinegrafista Marcelo Toscano Bianco. Na noite do sábado, 27 de abril, ele ficou indignado ao perceber que a tenda da blitz da Lei Seca havia sido montada sobre a ciclovia da Avenida Francisco Otaviano, que liga Ipanema a Copacabana. Quando parou para fotografar o que considerou um abuso, foi repreendido com a apreensão da bicicleta e multado em 1.723,86 reais, por estar sem capacete e por não ter habilitação para veículo acima de 50 cilindradas. Ele estava em uma bicicleta elétrica. Os fiscais que fizeram a apreensão foram afastados da Operação Lei Seca.

O tratamento à bicicleta é – ou deveria ser – estratégico para a cidade que vai receber, em junho, a Rio+20. O uso de bicicletas como transporte complementar é estimulado em cidades como Paris, Londres, Berlim e Amsterdã. A revisão do plano estratégico do Rio dedica um capítulo às bicicletas, estabelecendo como meta para 2016 a entrega de 300 quilômetros de ciclovias e construção de mil bicicletários.

Um dos responsáveis pela ONG Transporte Ativo, que estimula o uso de bicicletas no cotidiano, José Lobo é testemunha do crescimento das bicicletas no Rio. “Estamos vivendo um boom da bicicleta urbana. Na zona oeste, temos pessoas de baixo poder aquisito usando a bicicleta como transporte, inclusive para acessar o trem, por exemplo. Já na Zona Sul, o perfil sempre foi mais esportivo, mas nos últimos cinco anos a bicicleta também passou a ser uma alternativa para aqueles que fogem dos engarrafamentos ou não querem ficar rodando horas atrás de uma vaga”, afirma.

O caminho ainda é longo, mas a cidade avança, segundo José Lobo. “Apesar de não estarmos no nível de cidades como Paris, Amsterdã e Copenhagen, está cada vez mais fácil pedalar no Rio. O poder público começa a ver a bicicleta como meio de transporte e a integrá-la com outros modais”, atesta.

Bicleta motorizada – A lei em vigor não permite que bicicletas motorizadas trafeguem nas ciclovias. Mas João Lobo defende mudanças para que ela seja liberada. “É um avanço em relação aos carros, mas não substitui a bicleta normal, que também traz saúde”, afirma. “Do ponto de vista ambiental, polui menos que um carro, mas também polui, seja na produção da energia ou no descarte das baterias”. Ele defende a regulamentação para evitar abusos. “Tem gente que está turbinando essas bicicletas para andar a até 60 km/h”, explica. “Se elas se limitarem a até 25 km/h, não vejo problema de trafegarem nas ciclovias.”

A infraestrutura não é tudo. A cultura de trânsito, por exemplo, precisa aceitar o ciclista como parte do trânsito nos locais sem ciclovias. Nos últimos anos, o Rio de Janeiro expandiu significativamente sua malha cicloviária, saltando de 150 km, em 2009, para atuais 270 km. Estima-se que a cidade tenha uma frota de 4 milhões de bicicletas, que realizam 1 milhão de viagens por dia. Metade dessas viagens está concentrada em apenas três bairros da Zona Oeste: santa Cruz, realengo e campo Grande.

Uma pesquisa da ONG Transporte Ativo, realizada entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, comprovou que as bicicletas também desempenham um papel importante no transporte de cargas, no Rio. Só em Copacabana, são 11.500 entregas por dia.

A cidade já dispõe de bicicletários em onze estações do metrô, no Rio. Eles são gratuitos para os usuários do metrô, mas podem ser usadas por qualquer pessoas mediante o pagamento de uma passagem. “Os bicicletários ficam depois da roleta. É uma segurança que vale a pena”, avalia.

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