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Bento XVI pede que a ‘voz dos que não têm voz’ seja ouvida

Por Por Jean-Louis de la Vaissiere 25 dez 2011, 12h56

O Papa Bento XVI fez um chamado vibrante para que se escute a “voz dos que não tem voz” em sua mensagem de Natal “Urbi et Orbi” (para a cidade e para o mundo), proferida no Vaticano neste domingo, em um dia marcado por atentados mortais contra igrejas cristãs na Nigéria.

O Papa pediu, além disso, o fim da violência na Síria, “onde já se derramou tanto sangue” e solidariedade com os povos do Chifre da África.

O pontífice não se referiu à Nigéria, mas, pouco depois de terminar sua mensagem, o porta-voz da Santa Sé, Frederico Lombardi, considerou que o mais mortal desses atentados, que deixou 27 mortos, reivindicados por islamitas do Boko Haram, “precisamente no dia de Natal (…) busca suscitar e alimentar mais ainda o ódio e a confusão”.

O aumento das tensões interreligiosas na Nigéria, sexto país do mundo em número de cristãos, inquieta o Vaticano.

Em novembro passado, durante sua visita a Benin, o papa Bento XVI insistiu na tradição tolerante do Islã na África e na coexistência pacífica entre muçulmanos e cristãos.

O Vaticano afirmou estar muito preocupado por possíveis atos de violência de islamistas contra cristãos que vivem em países do mundo onde são minoritários, como o Egito e o Iraque. E que a minoria cristã síria teme pelo seu futuro.

Alguns católicos desses países indicaram ter evitado comemorar o Natal em igrejas à noite, já que temiam possíveis atentados, enfatizou a Santa Sé.

Durante a mensagem do Papa, milhares de pessoas o aclamaram aos gritos de “viva o Papa” e “Benedetto” (Bento, em italiano). O pontífice, de 84 anos, pronunciou sua mensagem de uma sacada que dá para a Praça São Pedro, no Vaticano.

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“Nos dirijamos neste Natal de 2011 ao menino de Belém, ao filho da Virgem Maria e digamos: venha nos salvar. Nós O chamamos, unidos espiritualmente com tantas pessoas que vivem situações difíceis e nos fazendo a voz dos que não têm voz”, disse.

“Invoquemos a ajuda divina para as populações do Chifre da África, que sofrem com a fome, frequentemente agravada por uma situação persistente de insegurança”.

“Que a comunidade internacional não prive de ajuda os muitos refugiados procedentes desta região, duramente postos à prova em sua dignidade”, afirmou.

O pontífice rogou a Deus “que dê um renovado vigor à construção do bem comum em todos os setores da sociedade nos países do Norte da África e Oriente Médio”.

“Que o nascimento do Redentor garanta estabilidade política nos países da região africana dos Grandes Lagos e fortaleça o compromisso dos habitantes de Sudão do Sul para proteger os direitos de todos os cidadãos”, acrescentou.

O pontífice também pediu, neste domingo, a “todos os setores da sociedade nos países” árabes, envolvidos em mudanças sociais e políticas, a participar na “construção do bem comum”.

Que “Ele que é o Príncipe da Paz, conceda a paz e a estabilidade à Terra na qual decidiu vir ao mundo, incentivando a retomada do diálogo entre israelenses e palestinos. Que faça cessar a violência na Síria, onde já se derramou tanto sangue. Que favoreça a plena reconciliação e a estabilidade em Iraque e Afeganistão”, disse o Papa.

Bento XVI não falou da América Latina, região do mundo que conta com o maior número de católicos. Mas se referiu à Ásia. “Que o nascimento do salvador consolide as perspectivas de diálogo e a colaboração”, em Mianmar, disse.

“Que o senhor conceda consolo à população do sudeste asiático, especialmente à Tailândia e às Filipinas, que se encontra em grave situação de dificuldade por causa das recentes inundações”, acrescentou.

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