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Beltrame pede desculpas à Polícia Civil

Na véspera de uma reunião de delegados para discutir formas de protesto, secretário divulga "nota de esclarecimento" exaltando papel da instituição no combate ao crime

Oito dias depois da crise aberta entre a Secretaria de Segurança e a Polícia Civil, e na véspera de uma reunião de delegados da instituição, o secretário José Mariano Beltrame fez um pedido formal de desculpa aos policiais. Em uma “nota de esclarecimento” enviada nesta segunda-feira, o secretário afirma “reconhecer o engajamento dos profissionais” da instituição, e diz que “sem eles, nenhum avanço seria possível”, no que diz respeito ao combate ao crime.

O mal-estar foi iniciado por uma entrevista publicada no jornal O Globo, na qual, ao apresentar um projeto de criação de delegacias em favelas, Beltrame disse ser necessário empregar novos policiais, “sem vícios de guerra e corrupção”. A declaração provocou uma imediata e agressiva reação de delegados veteranos, que, pelas redes sociais, passaram a discutir formas de rebater as críticas – com possíveis constrangimentos públicos para o secretário e o governo do estado.

Declaração de Beltrame abre crise na Polícia Civil do Rio

Na manhã desta terça-feira, uma reunião entre dois sindicados que representam os delegados vai discutir uma manifestação pacífica a ser deflagrada no próximo dia 29, quando será inaugurada a Cidade da Polícia, com presença de Beltrame e, possivelmente, do governador Sérgio Cabral. Já foram encaminhadas propostas de criação de camisas e de faixas em defesa da Polícia Civil e com críticas a Beltrame. A partir do pedido de desculpas, no entanto, é possível que o movimento seja arrefecido.

O secretário, na nota divulgada nesta segunda-feira, diz também que foi mal interpretado – apesar de não ter questionado a reportagem do Globo. “É da natureza e da tensão do trabalho de um secretário da pasta que eventualmente certas declarações sejam mal compreendidas ou mesmo mal colocadas. O contexto nem sempre sobrevive, sejam pela simplificação da fala ou pela generalização”, disse.

Beltrame também tentou se explicar. “Quando falei sobre eventuais vícios existentes ou de corrupção, longe de querer denegrir uma instituição e seus profissionais, eu falava de vícios do tempo, de rotina de trabalho típica, de percepções externas muitas vezes injustas e negativas”, escreveu.