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Beltrame e comando da PM em rota de colisão

Secretário criticou anistia concedida a policiais infratores, decidida pelo comandante-geral. Coronel Erir Ribeiro da Costa Filho alegou necessidade de liberar efetivo

Por Da Redação - 5 ago 2013, 18h15

A relação entre o secretário de Segurança do Rio e o comandante-geral da PM, que não era das melhores, desandou de vez na última sexta-feira. José Mariano Beltrame repreendeu publicamente a decisão do coronel Erir Ribeiro da Costa Filho de anistiar 450 policiais que enfrentavam punições administrativas – referentes a pequenas infrações, que podem ir desde desalinho na farda até faltas e atrasos. “Da maneira como foi colocado, não gostei. Precisamos explicar melhor o que são estes pequenos delitos, sobretudo para a sociedade. Eu aguardo explicações”, disse o secretário, no domingo, durante anúncio da ocupação de uma favela na Baixada Fluminense.

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O descompasso entre atitudes e declarações públicas já custou o cargo de outros comandantes na história recente da PM, durante a gestão de Beltrame à frente da Secretaria de Segurança. No caso de Costa Filho, o primeiro indício de desencontro ocorreu em uma entrevista coletiva, há duas semanas, na qual o oficial rebateu as críticas à atuação da PM nas manifestações de rua. O comandante-geral afirmou que “boa ou ruim, essa é a PM que vocês precisam, é a que está na rua 24 horas, não tem outra”.

Na tarde desta segunda-feira, Costa Filho afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, que agiu tendo como objetivo liberar efetivo para atuar na Jornada Mundial da Juventude e nos protestos de rua que passaram a ocorrer repetidamente no Rio. “No lugar de deixar os policiais detidos no quartel, sem fazer nada, optei por colocá-los para trabalhar”, disse.

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Beltrame tem postura pública nitidamente contrária às frases de Costa Filho. O secretário já defendeu, por exemplo, um “rito sumário” de punição de má conduta de policiais. O objetivo do comandante é, segundo ele próprio, permitir que os policiais recorram de punições impostas e, assim, limpem suas fichas na corporação.

Amarildo – Tem origem na PM, no momento, uma das feridas abertas do governo do Rio. Além do grito de “Fora Cabral”, repetido nas manifestações, os manifestantes querem saber “Cadê Amarildo?” – outro bordão que ganhou força nos protestos no centro e na vizinhança do governador Sérgio Cabral. Desaparecido desde o dia 14 de julho, quando compareceu à UPP da favela da Rocinha, o pedreiro Amarildo de Souza, de 43 anos, tornou-se mártir instantâneo dos protestos.

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