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Barbosa nega pretensões políticas e diz ser anti-herói

“Nunca fiz política e não seria agora que iria fazê-lo”, diz o magistrado, que será o novo presidente do STF a partir de novembro

Por Laryssa Borges 10 out 2012, 21h02

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, chegou na tarde desta quarta-feira ao posto máximo do Poder Judiciário. Foi eleito, em uma votação protocolar, o novo presidente da mais alta corte do país. O primeiro negro a ocupar o cargo será empossado na tarde de 22 de novembro para um mandato de dois anos.

Por seu protagonismo no julgamento do mensalão, e o rigor das condenações, Joaquim Barbosa virou uma celebridade. É assediado por cidadãos comuns até na hora de votar, como ocorreu domingo, no primeiro turno das eleições municipais, em um colégio do Rio de Janeiro. O presidente eleito do STF diz gostar das manifestações populares que até sugerem a ele se candidatar à presidência da República. Mas rejeita a possibilidade de se lançar no mundo da política. “Nunca fiz política e não seria agora que iria fazê-lo”, declarou na noite desta quarta-feira, após a 34ª sessão plenária do julgamento do mensalão.

Homenageado até com máscara de carnaval – que ele diz não parecer com sua fisionomia -, Barbosa refuta o rótulo de herói do julgamento do mensalão: “Sou um anti-herói porque não dou bola para essas coisas. Mas fico muito grato com a manifestação das pessoas”.

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“Réu eu trato como réu” – Barbosa diz não vislumbrar a “parlamentarização do STF”, com o tribunal atuando para suprir lacunas deixadas pelo Congresso Nacional. Em sua gestão, não promete “grandes inovações” como presidente da corte. Depois de mais de dois meses de início do julgamento do mensalão, resume como pretende atuar na sucessão de Carlos Ayres Britto. “Gosto de agir by the books, nada além disso”.

O ministro pretende, como presidente do STF, aplicar o rigor necessário “caso a caso”, inclusive na investigação de desmandos de magistrados, atribuição a ele dada como presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Diz que o Poder Judiciário, antes afastado do cidadão comum, tem conquistado o interesse da população e, por consequência, diluído um pouco a imagem de intocável.

Um dia após a condenação histórica de petistas na mais alta corte do país por corrupção, Barbosa ainda tentou se esquivar de reagir à grita do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, que, condenado, disse ter sido ‘prejulgado e linchado’. Ainda assim, registra: “Não costumo comentar afirmações de políticos. Esse não é meu papel. Réu eu trato como réu. Só isso. Se um determinado réu resolve politizar julgamento, problema dele”.

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