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Azeredo passal mal e adia defesa sobre valerioduto

Deputado tucano faria um pronunciamento na Câmara para se defender das acusações em esquema de desvio de recursos público em Minas Gerais

Por Laryssa Borges 11 fev 2014, 17h12

O deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG) cancelou nesta terça-feira o pronunciamento que faria no plenário da Câmara para se defender das acusações de participação no valerioduto mineiro. Ele disse que teve uma crise de hipertensão.

“Não há prova contra mim. Eu não estou me sentindo bem”, limitou-se a dizer o deputado.

Nos bastidores, porém, tucanos disseram que Azeredo foi orientado pelo partido a permanecer em silêncio. Na última sexta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) as alegações finais sobre o valerioduto mineiro e recomendou pena de 22 anos de reclusão para o parlamentar, réu pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

Ao contrário do esquema do mensalão, quando o Ministério Público apontou a compra de apoio político no Congresso Nacional, o valerioduto mineiro consistia, segundo a acusação, no desvio de recursos públicos para pagar dívidas da campanha de reeleição de Azeredo ao governo de Minas Gerais e para beneficiar os próprios envolvidos na trama criminosa.

Dos réus no processo, apenas Azeredo e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG) respondem ao processo no Supremo Tribunal Federal (STF), em duas ações penais diferentes. Os demais têm os casos analisados pela Justiça de Minas Gerais. Um deles, o ex-ministro e ex-vice-governador mineiro Walfrido dos Mares Guia, foi beneficiado pela prescrição.

Conforme denúncia do Ministério Público, o tucano, então candidato à reeleição no governo mineiro, utilizou três empresas estatais – a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig) e o Grupo Financeiro do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) – para desviar recursos e repassar os valores para supostas cotas de patrocínio de eventos esportivos.

Para o Ministério Público, os recursos públicos desviados da Copasa, da Comig e do Bemge, além de valores repassados de empresas privadas com interesses econômicos em Minas Gerais, como empreiteiras e bancos, foram usados para quitar empréstimos bancários fictícios e pagar pelos serviços prestados pelo grupo de Marcos Valério. O restante era depositado em uma contabilidade paralela.

Uma lista elaborada por Cláudio Mourão, então responsável pelas finanças da campanha de Azeredo, registra que foram arrecadados mais de 100 milhões de reais para o processo eleitoral na reta final do governo do tucano. De acordo com a lista, cuja veracidade foi atestada por perícia da Polícia Federal, Azeredo embolsou 4,5 milhões de reais para “questões pessoais”, enquanto Walfrido recebeu 24,59 milhões de reais. No esquema do valerioduto, mais de 90 milhões de reais não foram declarados à Justiça Eleitoral.

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