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Austeridade coloca direitos humanos em perigo, diz comissário da UE

Por Patricia de Melo Moreira 10 Maio 2012, 08h44

As medidas de austeridade aplicadas pelo governo português ameaçam os direitos humanos e afetaram de maneira “desproporcional” os jovens, as pessoas idosas e os ciganos, considerou o comissário europeu de Direitos Humanos após uma visita a Portugal.

“A austeridade orçamentária afetou de maneira desproporcional os direitos dos grupos mais vulneráveis, em particular os jovens, as pessoas idosas e os ciganos”, concluiu Nils Muiznieks em um comunicado após uma visita de três dias a Portugal.

“O que é essencial é colocar os direitos humanos no centro da estratégia econômica, sobretudo em um contexto de austeridade, para não esquecer dos mais vulneráveis”, disse o comissário à AFP.

“É preciso mudar a política se vemos que seu efeito nos grupos mais fracos é desproporcional”, acrescentou.

Enfraquecido pela crise da dívida, Portugal obteve em maio de 2011 uma ajuda da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 78 bilhões de euros. Em troca, deve aplicar uma política rigorosa, o que provocou um aumento da taxa de desemprego, que supera atualmente 15% da população economicamente ativa.

“Incentivei o governo português a tomar medidas para evitar o reaparecimento da exploração infantil”, citou o comissário, que também se preocupou com o destino de entre 40 e 60 mil ciganos que vivem em Portugal e que são, muitas vezes, discriminados.

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