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Aumento dos atrasos era um transtorno anunciado

Por Da Redação 22 dez 2008, 05h53

Por André Pontes

A chegada do fim de ano traz a felicidade das férias, de uma possível viagem e de momentos de esquecer o stress do trabalho. De 2006 para cá, no entanto, a proximidade desse período tem provocado preocupação entre os passageiros, que temem sofrer transtornos e dores de cabeça nos aeroportos do país. No fim de semana, milhares de pessoas tiveram de lidar com os atrasos nos vôos domésticos nos dias que antecedem o Natal. Quem estava atento ao quadro nos aeroportos, porém, não se surpreendeu: nas últimas semanas, eram claros os sinais de que a aviação nacional voltaria a enfrentar problemas.

No período de festas do ano passado, entre os dias 20 de dezembro de 2007 e 7 de janeiro de 2008, os atrasos de pelo menos trinta minutos nos vôos chegaram a 26,76%, e os cancelamentos somaram 6,8%, conforme dados da Infraero. No segundo semestre de 2008, esses índices foram reduzidos à metade. No mês de novembro, entretanto, eles voltaram a subir, aumentando a preocupação com dezembro. Para tentar assegurar um fim de ano tranqüilo para quem pretende viajar de avião, o Ministério da Defesa planejou a Operação Feliz 2009, que na teoria minimizaria os atrasos. A questão é saber se o plano funcionará na prática.

Overbooking – A iniciativa tem como parceiros a Aeronáutica, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Infraero e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), além da Polícia Federal, da Receita Federal e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre outras medidas, estavam prometidas fiscalização e punição à prática de overbooking (venda de passagens além da capacidade da aeronave) no período de 19 de dezembro a 7 de janeiro. Além disso, segundo o Ministério da Defesa, as companhias aéreas haviam concordado em endossar passagens de outras empresas para beneficiar as vítimas de vôos cancelados ou atrasados.

�É uma medida plenamente possível, desde que haja pagamento. Se a empresa concorrente atrasou e estiver disposta a pagar a passagem para nós, com certeza levaremos esse passageiro�, disse a VEJA.com o comandante Fernando Rockert, vice-presidente técnico e de operações da Gol � companhia que, no domingo, teve alto índice de atrasos e foi criticada pela Infraero por supostamente ter disponibilizado um número insuficiente de funcionários nos balcões. De acordo com Marcelo Guaranys, diretor da Anac, as companhias se comprometeram em ter de prontidão tripulações e aeronaves de reserva.

�Nós, por exemplo, teremos um avião reserva em Guarulhos e outro no Galeão, no Rio de Janeiro. Eles estarão estrategicamente posicionados para cobrir a área que movimenta mais da metade da malha brasileira: Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Belo Horizonte, além de São Paulo e Rio de Janeiro�, afirmou Rockert, da Gol. Guarulhos, Galeão, Congonhas, Salvador e Porto Alegre são os aeroportos com maior movimento no fim de ano. Apesar dos problemas do fim de semana, a Infraero tentou minimizar a importância desses transtornos, dizendo que, na comparação com o ano passado, os atrasos em 2008 são bem menores.

Prevenção – Além da Infraero, a Anac também montou um esquema de fiscalização especial para evitar problemas neste período. �Nós vamos nos concentrar atrás da área de check-in das companhias, na pista, nos centros de manutenção e de operações das empresas aéreas e junto ao Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA) da Aeronáutica, que controla todos os vôos do país�, disse o diretor Marcelo Guaranys. �Nosso principal objetivo é assegurar o cumprimento de todas as normas regulatórias, antecipar problemas e agir preventivamente para minimizá-los�, completou ele.

Os atrasos nos aeroportos já davam sinais de alta no mês passado, quando o índice subiu depois de vários meses em queda. Os atrasos acima de 30 minutos ficaram em 16,6%, contra 12,5% em outubro. O aumento do índice de atrasos foi causado principalmente por Gol e Varig. As duas tiveram, respectivamente, 21,1% e 24,2% de atrasos no mês. Em conjunto, elas representaram 38% do total de vôos domésticos e internacionais em novembro. A causa desses atrasos é a fusão das malhas aéreas da Gol e Varig, o que causou dificuldades para a operação de seus vôos. �Já ultrapassamos a fase mais crítica. Sofremos atrasos por causas de problemas de sistemas, mas agora isso já é passado�, afirmou o comandante Fernando Rockert.

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