Assessor de Lula que recebeu dinheiro de lobista tinha salário de elite no governo
Marcola poderia, com seus rendimentos, obter empréstimo em qualquer banco regular no país, mas optou por embolsar recursos de uma investigada pela PF
Chefe de gabinete do presidente Lula, o agora assessor da campanha petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, tornou-se alvo de investigações da Polícia Federal por ter recebido dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, investigada por envolvimento nas fraudes do INSS.
O dinheiro pago ao assessor seria, segundo Marcola, fruto de um empréstimo já quitado.
Como chefe de gabinete de Lula, Marcola é um dos servidores do governo federal mais influentes e mais próximos do homem mais poderoso do país. Ter acesso e relacionamento com um auxiliar desse nível é, portanto, o objetivo de dez entre dez lobistas em Brasília. Marcola, um quadro experiente e de confiança de Lula, naturalmente sabia disso quando aceitou dinheiro de Roberta.
Ele foi exonerado do Planalto em 21 de julho, quando, segundo fontes petistas, a notícia da existência da transação financeira chegou até o presidente Lula.
Dados do governo mostram que Marcola não ganhava mal no Planalto. Ao contrário, em junho, com gratificação natalina e jeton por participação no conselho de uma estatal, Marcola recebeu 47.377 reais de vencimentos já descontados o imposto de renda de 7.493 reais e a previdência de 988 reais.
Além do salário, a folha de pagamento de Marcola em junho tem valores de verbas indenizatórias de 1.192 reais e o jeton de 12.484 reais.
Num país empobrecido como o Brasil, o salário de Marcola pode ser considerado de elite no governo.
Com um cadastro desses, o então chefe de gabinete conseguiria empréstimo em qualquer banco regular do país. Daí a revolta de aliados de Lula no PT diante da constatação de que ele optou por receber dinheiro de uma lobista.
Em tempo, a Polícia Federal diz que irá investigar se a versão de Marcola é mesmo verdadeira.







