Assassino de líder quilombola na Bahia é condenado a quase 60 anos de prisão
Crime, segundo Ministério Público, ocorreu diante do fim do relacionamento entre Tainara dos Santos e George Anderson Santos da Silva
O Tribunal do Júri de Cachoeira, na Bahia, condenou George Anderson Santos da Silva, conhecido como Dandan, a 59 anos, 11 meses e 24 dias pelo homicídio, ocultação de cadáver, ameaça e extorsão praticados contra a líder quilombola Tainara dos Santos, ex-namorada do condenado, em 2024. Por maioria dos votos dos jurados, o réu foi considerado culpado pelos crimes. Além da pena de prisão, foi fixado o valor mínimo de 300. 000 reais para reparação dos danos sofridos pelas vítimas e seus filhos. “Foi um alívio. Claro, não vai trazer nossa irmã de volta, mas a Justiça foi feita e bem feita. Esses anos todos (de pena) que ele vai pagar é um alívio para nós”, afirmou Denivaldo dos Santos, irmão da vítima.
Na decisão, segundo informações fornecidas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), os jurados reconheceram que o feminicídio foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e que a ameaça foi motivada por ciúme e pelo sentimento de posse do acusado em relação a Tainara.
“O resultado é fruto da demonstração de todas as provas e do que foi proposto pelo Ministério Público. Não é um dia de comemoração, mas de mostrar à sociedade, mais uma vez, a necessidade que temos de trazer a julgamento fatos tão insanos e tão covardes como esse, com reflexos que perduram no tempo. A resposta da sociedade de Cachoeira foi dada e que isso sirva de exemplo a todos aqueles para quem a violência doméstica e familiar pode fazer parte do cotidiano”, disse o promotor de Justiça Audo Rodrigues.
De acordo com as investigações, Tainara desapareceu no dia 9 de outubro de 2024. Conforme a denúncia apresentada pelo MP-BA, ela e George Anderson mantiveram um relacionamento amoroso por ao menos cinco anos e tiveram uma filha, que tinha dois anos de idade à época do crime. A relação era marcada por sucessivas agressões físicas e psicológicas, segundo a peça acusatória.
As apurações apontaram que Tainara relatava as violências sofridas e manifestava o desejo de encerrar o relacionamento. Após a separação definitiva, conforme sustentado na acusação, Dandan não aceitou o fim da relação e passou a perseguir a vítima, utilizando a filha do casal como pretexto para manter contato com a ex-companheira. Diante das ameaças e do histórico de violência, Tainara solicitou medida protetiva de urgência, que foi deferida pela Justiça para assegurar o afastamento do acusado e a proteção da vítima e de seus familiares. A determinação judicial, no entanto, foi reiteradamente descumprida pelo réu.
“No dia 9 de outubro de 2024, data em que Tainara foi vista pela última vez, o acusado coagiu a vítima, mediante grave ameaça, a assinar um contrato relacionado à divisão de um imóvel e, em seguida, a conduziu em seu veículo. Desde então, a líder quilombola não foi mais vista e seu corpo nunca foi encontrado”, relatou a Promotoria.







