As oportunidades desperdiçadas por Lula e Flávio Bolsonaro ao fugirem do debate
Ausência dos principais postulantes ao Planalto mostra desprezo por um importante instrumento democrático para decisão do voto do eleitor
Instrumento mais democrático do período eleitoral, o debate é uma ferramenta que dá ao eleitor a possibilidade de conhecer os candidatos, escutar suas propostas e analisar como reagem, sob pressão, os homens que se oferecem para comandar um país de mais de 200 milhões de pessoas.
Ao candidato, o debate oferece a oportunidade de se apresentar ao Brasil. É uma chance para que todos busquem se diferenciar de seus adversários por suas capacidades e diferenças.
Ao fugirem do programa organizado, neste domingo, pela Bandeirantes, Lula e Flávio Bolsonaro mostraram que são muito mais parecidos do que seus discursos polarizados querem sugerir ao eleitorado. Diante do risco de serem cobrados a responder sobre escândalos e contradições, decidiram faltar ao encontro, privando o país do primeiro escrutínio em rede nacional de TV.
Antigamente, o medo de faltar a debates e deixar uma impressão de covardia e de dúvida no eleitor fazia com que todos os postulantes ao Planalto participassem dos duelos.
Nos dias atuais — com o ilusionismo de marqueteiros e das redes sociais –, diante de tantas coisas mais graves a rondar as candidaturas dos dois principais candidatos à Presidência, o desgaste por faltar ao debate foi visto como algo menor.
Tivessem comparecido, Lula e Flávio poderiam ter mostrado ao eleitor que nada temem, nada devem e nada têm a esconder. Perderam essa oportunidade, ignorando inclusive uma realidade retratada pelos institutos de pesquisa nos dias atuais.
Mesmo com todos os escândalos e falhas, Lula mantém seu patamar de votos escorado na fidelidade do eleitor petista.
Mesmo com todos os escândalos e falhas, Flávio mantém seu patamar de votos escorado na fidelidade do eleitor bolsonarista.
Esse patrimônio político garantido pela polarização deveria ser elemento suficiente para fazer com que ambos evitassem o fiasco da fuga. Quem quer presidir o país não pode ter medo de confrontar ideias com Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury.







