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As musas do Carnaval

O Carnaval é um dos grandes responsáveis por difundir o conceito da beleza da mulher brasileira para o resto do mundo. Não é de hoje que as beldades se destacam exibindo suas curvas esculturais e seu rebolado em cima de carros alegóricos ou desfilando pelo sambódromo. Nos seus 40 anos de sua existência, VEJA registrou as personalidades femininas que mereceram os holofotes nos Carnavais do país.

Em 14 de março de 1973, a revista afirmou que nunca o país havia recebido tantos diretores, atores, atrizes e milionários para a festa mais famosa do Brasil. VEJA traz uma foto da bela atriz Odile Rubirosa exibindo suas formas com um pequeno top enquanto tem sua barriga apertada pelo cineasta Roman Polanski. “Odile Rubirosa, numa bata diáfana, conseguia nos bailes os aplausos que lhe faltaram quando passou pela avenida numa das alas da Portela, ofuscada pelas mulatas e pelo fato de não saber os movimentos mais elementares de um sambista”, contava a revista.

Em 3 de março de 1976, VEJA mostrou as mulheres que ocupavam um dos principais postos da festa carioca: o de porta-bandeira. Em uma reportagem de capa, a revista discutiu o processo de descaracterização que as escolas de samba sofreram com o passar dos anos. Na ocasião, a porta-bandeira da Império Serrano era a “branca” e “gordota” Alice, uma mulher de 1,50 metro e 68 quilos. Suas características físicas eram bem diferentes de Neide Gomes Santana, da Mangueira. “Assim desfila a franzina Neide – 1,60 metros 64 quilos – carregando ainda uma fantasia que nunca pesa menos de 20 quilos e que, este ano, custou 40.000 cruzeiros.”

O feriado de 1977 manteve a tradição dos outros Carnavais com uma festa repleta de belas mulatas misturadas a estrelas internacionais. A edição de 2 de março daquele ano mostra que o país recebeu Raquel Welch, Ursula Andress, Marisa Berenson, Jacqueline Bisset, Valérie Perrine, entre outras. VEJA reproduziu uma crítica feita pelo então jornal Gazeta de Notícias em que acusava a Riotur de ter trazido “uma trupe de famosas nudistas, acompanhadas de seus maridos e amantes”. O editorial do diário ainda traz adjetivos como “punguista sexual”, “caçadora de dotes” e escandalizadora das “mais picantes pornôs chanchadas”.

“Durante quatro dias, as câmaras de televisão – portanto, os olhos do país- estarão em cima da mais sensual e alegre imagem do carnaval: o show de mulatas que toma conta dos desfiles das escolas de samba com seu festival de rebolado e seus biquínis sumários“, anunciava a revista em 4 de março de 1981. Segundo VEJA, o advento das mulatas havia chegado ao país para ficar. Entre as novas integrantes estavam desde profissionais a simples donas de casa, que desfilariam em diversas escolas por prazer ou por cachê.

Em 23 de fevereiro de 1983, a modelo, Monique Evans estampa as páginas de VEJA e não se envergonha em mostrar suas formas. Com um reduzido biquíni de lamê e uma capa, ela estava exibindo seu corpo mais “rechonchudo”, já que teria acrescentado cinco quilos ao peso anterior de 48 quilos.

Nove anos depois, em 11 de março de 1992, Monique volta a aparecer na revista. Agora, porém, com o título de campeã do Carnaval como madrinha de bateria da Estácio de Sá. Naquele ano, quem demonstrou a mesma disposição que ela foi a também modelo Luiza Brunet. Ela desobedeceu as ordens de seu médico para enfrentar a passarela. O médico havia recomendado que ela ficasse em repouso para curar sua infecção estomacal.

Na mesma edição, VEJA também traz fotos de Xuxa Meneghel. Ela recebeu um convite do célebre Joãozinho Trinta para ficar no topo de um carro alegórico. Xuxa dividiu o destaque com as apresentadoras infantis Angélica e Mara Maravilha, que ocuparam lugares pouco visíveis durante o desfile.

Quatro anos mais tarde, em 21 de fevereiro de 1996, a revista traz um perfil da modelo Valéria Valenssa, que ficou conhecida como símbolo da festa por aparecer nas vinhetas pré-carnavalescas da rede Globo. “‘Vestida’ com óleo Johnson, um sopro de purpurina e umas tiras microscópicas de fita adesiva plástica serpenteando pelas canelas, pelo bumbum e virilha, Valéria não é a Globeleza por acaso.”

Outro nome conhecido há muitos carnavais é o da modelo Luma de Oliveira, que foi capa da revista em 17 de fevereiro de 1988 e apontada pela revista como uma das “mais graciosas e festejadas do Carnaval”. Mais tarde, e agora casada, VEJA mostrava que a presença de Luma na Marquês de Sapucaí mexia com os nervos do marido, o empresário Eike Batista. “Desde que espalhou aos quatro ventos que o marido morre de ciúme de suas retumbantes performances na avenida, tem de ouvir a toda hora a mesma perguntinha maldosa: e o Eike, não quis vir?”, relata a revista de 15 de março de 2000.

Para mostrar sua fidelidade, ela chegou a vestir uma coleira com o nome dele e também colocou um pequeno broche em uma minúscula calcinha com as iniciais do marido. A mesma edição da revista mostrou ainda os “figurinos” de Luciana Gimenez, Suzana Werner e de Joana Prado – a celebridade instantânea Feiticeira.

Em 2005, a edição de 2 de fevereiro, apresenta a dançarina Giane Carvalho. Ela seria a grande responsável por ocupar o posto de Valéria Valenssa. “Na vinheta em que aparece ao lado de Valéria, dez anos mais velha, é mostrada quase o tempo todo apenas da cintura para cima, o que 1) evidencia a inexistência de silicone – uma exigência do cargo, que não admite nenhum tipo de plástica; e 2) sugere, pela ausência, que deixa a desejar no sacolejo de quadris.”

Já em 2008, tabus como a cirurgia plástica, a lipoaspiração ou até mesmo a colocação de uma prótese de silicone já não eram mais encarados como um mistério entre as mulheres. Naquele Carnaval, a lista de beldades turbinadas estava recheada com nomes como o da apresentadora Sabrina Sato, a miss Natália Guimarães, a atriz Juliana Paes e a ex-modelo Luiza Brunet.

Às vésperas do Carnaval de 2009, VEJA se antecipou em uma reportagem que mostra a atual geração de estrelas, que exibem seus corpos malhados e, muitas vezes, expandidos exageradamente. “Rainha de bateria que se preze tem pelo menos 1 metro de quadris. As coxas, apesar da semelhança com troncos de madeira de lei, não existem na natureza: nascem de exercícios de rigor indescritível em academias de ginástica, aditivadas por substâncias que todo mundo toma, mas ninguém admite. Submetidas ao mesmo regime, as nádegas, já naturalmente proeminentes, avançam como mísseis balísticos. Os seios, invariavelmente turbinados com implantes, arrematam a silhueta das hiperfêmeas, as mulheres apoteóticas.”