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As falhas apontadas por relator da ONU no combate ao trabalho escravo no Brasil

Relatório será apresentado oficialmente ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em setembro, em Genebra, na Suíça

Por Marcelo Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 ago 2026, 10h30 | Atualizado em 12 ago 2026, 10h35
As falhas apontadas por relator da ONU no combate ao trabalho escravo no Brasil Priorizar nos meus resultados Google

Depois de visitar o Brasil entre 18 e 29 de agosto de 2025, o relator especial sobre formas contemporâneas de escravidão da ONU, Tomoya Obokata, elaborou parecer que aponta que, ainda que o país tenha leis, políticas públicas e instituições importantes para enfrentar o trabalho escravo contemporâneo, ainda há falhas na aplicação das medidas e a exploração persiste em diferentes setores e regiões.

O relatório será apresentado oficialmente ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em setembro, em Genebra, na Suíça.

No parecer, Obokata afirma que, durante a missão, recebeu relatos de trabalho forçado, exploração sexual, servidão doméstica, trabalho infantil e casamento infantil.

Ele destaca a vulnerabilidade de povos indígenas, pessoas negras, comunidades quilombolas, mulheres trabalhadoras domésticas, migrantes, refugiados e outras populações marginalizadas.

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De acordo com o documento, fatores como pobreza, desigualdade racial e de gênero e diferenças regionais aumentam a exposição desses grupos a situações de exploração.

O relator também relaciona a exploração laboral aos conflitos fundiários e à degradação ambiental, principalmente na Amazônia.

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Segundo o relatório, indígenas e quilombolas que ainda não possuem o reconhecimento formal de seus territórios ficam mais expostos à atuação de madeireiros, mineradores, empresas do agronegócio e organizações criminosas. A grilagem de terras contribui, segundo a ONU, para o desmatamento, a violência, o deslocamento de comunidades e a perda de meios tradicionais de subsistência, além de dificultar o acesso a serviços públicos e à Justiça.

A condição de migrantes e refugiados no Brasil também preocupou Obokata, já que há casos de exploração dessas pessoas em setores como a indústria têxtil, a construção civil, a agricultura, a pecuária, a coleta de resíduos e os serviços urbanos.

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Além disso, as trabalhadoras domésticas aparecem entre os grupos mais expostos à exploração. O relatório afirma que muitas mulheres e meninas, especialmente negras, indígenas e migrantes, enfrentam servidão, assédio, exploração e violência sexual.

No parecer, o relator exalta mecanismos brasileiros reconhecidos internacionalmente para enfrentar o problema, como a chamada “lista suja” do trabalho escravo, classificando-a como uma iniciativa inovadora de transparência e responsabilização.

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Ainda assim, alerta para dificuldades na responsabilização de empresas e afirma que práticas como terceirização e “pejotização” podem dificultar a identificação dos responsáveis por violações trabalhistas.

Para Obokata, a impunidade está entre os principais problemas — as taxas de processos e condenações por formas contemporâneas de escravidão permanecem baixas, enquanto ações judiciais podem se prolongar por anos e algumas condenações são anuladas em instâncias recursais.

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Entre as recomendações, o relator pede ao governo brasileiro mais recursos para a fiscalização trabalhista, a ampliação das operações em áreas remotas e residências privadas e o fortalecimento do acesso das vítimas à Justiça e a mecanismos de reparação.

Também sugere acelerar a demarcação de terras indígenas e quilombolas, ampliar políticas de redução da pobreza, reforçar a proteção de migrantes e trabalhadores domésticos, aumentar a responsabilização das empresas e combater crimes ambientais associados à exploração laboral.

“O Brasil está diante de um momento decisivo e precisa enfrentar desigualdades estruturais ligadas aos legados da escravidão и do colonialismo para reduzir a vulnerabilidade à escravidão contemporânea”, avalia o responsável pelo relatório.

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