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As 32 horas do cerco ao assassino de Toulouse

Por Pascal Pavani 22 mar 2012, 15h14

Tentativas de invasão, negociações, tiros e explosões; a operação da unidade de elite da polícia francesa para tentar conter e, finalmente, matar Mohamed Merah, o francês de 23 anos que matou friamente sete pessoas, durou mais de 32 horas.

Quarta-feira às 03h00 locais (23h00 de Brasília): início da operação no pequeno prédio em um bairro residencial de Toulouse, onde Mohamed Merah se escondia no primeiro andar.

03h20: o suspeito fere dois policiais. O primeiro é atingido no joelho, o segundo recebe um tiro em seu colete à prova de balas. Um terceiro também é ferido no ombro pouco tempo depois.

Trezentos policiais são enviados.

Entre 04h00 e 06h00: a mãe de Merah, seu irmão Abdelkader, de 29 anos, e a namorada deste são colocados em prisão preventiva. Explosivos são encontrados no carro de um dos irmãos de Merah.

05h45: tiros podem são ouvidos esporadicamente.

07h00: início das negociações com o assassino em série. O ministro do Interior, Claude Guéant, explica que Merah “fala muito sobre o seu compromisso com a Al-Qaeda e a causa jihadista”.

09h20: “Nossa dificuldade é detê-lo vivo”, declara Guéant. Merah diz que se renderia “durante a tarde”, informa o ministro.

Ele pede um rádio para se comunicar com a polícia, em troca de sua pistola, que foi jogada pela janela. Ele afirma possuir uma kalashnikov, uma metralhadora Uzi de fabricação israelense e armas de pequeno porte.

11h00: negociações interrompidas. Meia hora depois, os moradores do prédio são evacuados.

13h15: retomada das negociações.

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14h20: o presidente Nicolas Sarkozy chega a um quartel militar, próximo ao imóvel. Ele deixa o local 40 minutos depois e vai a Montauban, para o funeral dos paraquedistas mortos por Merah.

17h00: o procurador de Paris, François Molins, informa sobre as várias tentativas de invasão por parte da unidade de elite da polícia. A cada vez, o ataque é respondido com tiros. O suspeito fala de uma rendição “durante a tarde ou no início da noite”.

21h00: o bairro mergulha na escuridão.

22h45 : Merah rompe o contato após dizer que queria “morrer como mujahedine, com as armas nas mãos”. Segundo o procurador, o fanático “recusa um julgamento”, não suporta a “ideia de acabar a vida em uma prisão”.

23h30: a operação acaba com granadas, utilizadas para explodir as janelas do apartamento. Dois tiros de resposta.

De meia-noite às 05h50 de quinta-feira: Merah não dá mais sinal de vida. Um feixe de luz varre a fachada. A polícia corta a água, gás e e a energia elétrica.

05h50: mais uma vez granadas são lançadas no apartamento. Os negociadores não sabem se Merah está morto ou vivo.

10h30: três fortes detonações são ouvidas nas proximidades do prédio.

11h10: a polícia invade o apartamento pela porta e pelas janelas. Três granadas são lançadas para que o suspeito reaja. Ele se aproxima.

11h30: Merah sai do banheiro e abre fogo “com extrema violência”, segundo Claude Gueant. O tiroteio pesado e as explosões são ouvidas por cinco minutos. Trezentos cartuchos de bala são utilizados no total. Um policial foi ferido no pé.

Pouco depois das 11h30: Merah ataca a polícia a partir do apartamento. Ele pula a janela atirando. É encontrado morto no chão, “atingido por franco-atiradores” posicionados fora do prédio. Segundo o procurador de Paris, ele foi atingido com uma bala na cabeça.

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