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Arruda pede tempo ao DEM para ‘provar inocência’

Por Da Redação 30 nov 2009, 07h20

A cúpula do DEM reuniu-se na tarde desta segunda-feira com o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, acusado de integrar um grande esquema de caixa dois montado dentro de sua campanha ao governo, em 2006. Segundo a coluna Radar On-line, de Lauro Jardim, Arruda fez acusações a Durval rodrigues, pediu tempo ao partido para poder provar sua inocência e ainda disse que “fica até o fim”. A maioria dos presentes concordou, mas ficou decidido que a Executiva da legenda pedirá explicações públicas ao governador – e vai analisar sua possível expulsão do partido.

Concordaram em dar mais tempo a Arruda o presidente do DEM Rodrigo Maia e o deputado ACM Neto. Já o líder do Democratas na Câmara, Ronaldo Caiado, além do senador Demóstenes Torres e do deputado Agripino Maia pediram a expulsão sumária do governador do partido. Arruda deve se pronunciar sobre as acusações ainda nesta segunda.

Impeachment – A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu segunda- entrar com processo de impeachment contra Arruda. O anúncio foi feito em entrevista pelo presidente nacional da OAB Cezar Britto. O PSOL e o PSB, partido que integrava a base de Arruda, também anunciaram que pedirão o impeachment do governador.

Para que o processo de impeachment chegue à Câmara, ele ainda precisa ser votado pelo conselho pleno da OAB. A entidade acredita que haja indícios de que Arruda cometeu irregularidades e, portanto, precisa ser afastado do cargo.

“Todos sabem da gravidade do que se denúncia em relação ao governador do DF, vários dos seus secretários, vários parlamentares, e todos conhecem a história da OAB e sabem que, diante de tais denúncias, não poderíamos ter como resposta o silêncio, a inércia”, disse Britto.

Já a presidente da OAB no Distrito Federal, Estefânia Viveiros, adiantou que a ordem vai mobilizar entidades nacionais e do Distrito Federal para envolver a sociedade no pedido de afastamento do governador. “A gravidade dos fatos está suficientemente demonstrada. Trata-se de um amplo sistema de corrupção e a sociedade precisa se mobilizar para restabelecer a ética na política”, afirmou Estefânia.

Além do impeachment de Arruda e do vice-governador Paulo Octávio, o PSOL pedirá ainda o afastamento de todos os parlamentares distritais envolvidos no esquema de corrupção. Como nesta segunda é feriado no DF, o partido entrará com o pedido na terça-feira. Já o PSB também defendeu o impeachment de Arruda, mas não deu prazo para oficializar o pedido.

Denúncia – Um dossiê entregue à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público (MP) pelo ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, indica que Arruda participava de esquema de pagamento de propina a parlamentares da Câmara Legislativa local, com recursos da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), empresa ligada ao governo. A conta chega a 57 milhões de reais.

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Barbosa anexou aos documentos planilhas de despesas que teriam sido custeadas pela Codeplan durante a disputa eleitoral. Os papeis detalham a distribuição do dinheiro. Uma tabela mostra gastos entre 2004 e setembro de 2006, véspera da votação. A Codeplan teria pago, por exemplo, 7 milhões de reais para locação de um estúdio da campanha no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Mais 2,9 milhões aparecem para a despesa com programas de rádio e televisão.

Outro documento atinge a cadeia de comando do governo do Distrito Federal, indicando a distribuição de propina oriunda de empresas contratadas. Uma tabela cita a empresa Infoeducacional, que é investigada pela PF, com valor de 298.000 e a divisão: 40% para Arruda, 30% a seu vice, Paulo Octávio, 10% ao assessor Omézio Pontes, 10% a seu então chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, e o restante à espera de um “comando”.

Fitas – Vídeos gravados com uma câmera escondida pelo ex-secretário Durval Barbosa apresentam os bastidores do chamado mensalão do DEM e a divisão do dinheiro que, de acordo com a investigação, era proveniente de propina paga por empreiteiras e prestadoras de serviço. As cenas de corrupção explícita mostram deputados escondendo dinheiro nos bolsos e até nas meias.

A deputada Eurides Brito (PMDB) entra rapidamente na sala e pergunta: “Cadê o Durval?” Barbosa pede que ela dê meia volta e tranque a porta. Os dois trocam poucas palavras, a deputada abre a bolsa de couro e, na mesma velocidade com que chegou, joga para dentro cinco maços de dinheiro. A conversa prossegue. Eurides ainda ensaia uma crítica a Arruda. “Você não acha que o governador perdeu as estribeiras?”, pergunta. Logo depois, sai da sala carregando a bolsa.

Em outro vídeo, o deputado Rubens César Brunelli (PSC-DF) entra na sala, recebe um maço de dinheiro e o coloca no bolso. Numa das gravações, Brunelli aparece rezando com Barbosa e com Leonardo Prudente. “Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos”, diz o deputado, para em seguida pedir proteção à vida de Barbosa. “Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para nossa cidade”, diz Brunelli.

Leia no Radar on-line, por Lauro Jardim:

José Roberto Arruda teve sua segunda chance na vida. Na primeira trombada com a honestidade, ficou marcado como mentiroso. Milagrosamente, teve uma segunda oportunidade. Entra agora para a história como mentiroso e corrupto.

Leia no blog do Reinaldo Azevedo:

Tomara que seja posto pra fora. Com tudo o que já se viu e já se sabe, competente ou não, ele perdeu a condição moral de liderar um governo. Alguns de seus auxiliares, nota-se pelos filminhos, se comportam como verdadeira quadrilha.

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