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Arcebispo acusa Judiciário de corrupção

Por Da Redação - 31 out 2011, 19h44

Por Elder Ogliari e José Maria Tomazela

Porto Alegre – O arcebispo de Porto Alegre, d. Dadeus Grings, acusou o Judiciário de corrupção e de invasão à jurisdição da Igreja em nota e em entrevista coletiva nesta segunda-feira. A manifestação revela revolta contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que condenou a diocese de São João da Boa Vista e o próprio religioso a pagar uma indenização de R$ 940 mil por danos morais a uma família do município de Mogi Guaçu.

“O problema da corrupção no Brasil tem sua base exatamente ali, no Judiciário”, afirma o arcebispo. “Todos sabem disso, mas poucos têm coragem de denunciá-lo”, prosseguiu. “Nossa presidente (Dilma Rousseff) começou a faxina no Executivo. Quando será a vez do Judiciário, onde o problema é muito mais grave?”

O caso que deixou d. Dadeus Grings indignado ocorreu na década de 90, quando ele era bispo de São João da Boa Vista. O religioso disse que à época foi procurado por cidadãos inconformados com o pagamento de indenização milionária, pela prefeitura de Mogi Guaçu, a família que teve terreno desapropriado para a construção de uma avenida.

Ele tomou conhecimento do processo e escreveu uma série de artigos em defesa do município. A família se sentiu atingida e lhe entregou uma carta. Na resposta, o bispo disse que os advogados da família não lhe deixaram a impressão de lisura. Esta frase, segundo d. Dadeus, foi o motivo da condenação. “Por esta expressão foi condenado a pagar R$ 940 mil, a título de danos morais. É justo?” , questiona. “Era obrigação minha, de pastor, orientar a referida família e chamar a atenção dos desvios”, afirma, reiterando que não agiu em causa própria.

Juízes

A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) reagiu imediatamente às declarações de d. Dadeus. Em nota divulgada depois da manifestação do arcebispo, o presidente da entidade, João Ricardo dos Santos Costa, considera “a postura inquisitorial do arcebispo inaceitável” e afirma que “é necessário que a cidadania perceba que um País, para ser substancialmente democrático, deve contar com um Judiciário laico, imparcial e independente”.

O texto manifesta respeito por todas as religiões, mas coloca alguns limites como ressalva. “Não podemos admitir que qualquer religioso, em nome de sua crença, insulte pessoas e instituições de forma arbitrária, numa quase retrospectiva da inquisição medieval”. Ao final, destaca que “a Ajuris sempre exigirá pronta apuração de qualquer irregularidade no Poder Judiciário, mas não admitirá a ofensa generalizada e irresponsável, de qualquer autoridade, simplesmente pelo fato de ter seus interesses contrariados por decisão judicial”.

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