Após um ano, polícia prende suspeitos de matar homens que foram cobrar uma dívida no Paraná
Caso mobilizou autoridades por meses; foragidos foram encontrados em áreas rurais do estado de São Paulo
A Polícia Civil prendeu quatro homens que estavam foragidos pelos assassinatos de quatro cobradores irregulares de dívidas em Icaraíma, no noroeste do Paraná, em agosto de 2025. As prisões foram feitas nas primeiras horas desta terça-feira, 18, e levam ao fim um caso que mobilizou as autoridades e a imprensa por meses.
Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho, foram localizados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, em São Paulo. Outro filho de Antônio foi preso em Santa Bárbara do Oeste, também no estado de São Paulo. E o quarto suspeito identificado já estava preso por outro crime.
“Desde a identificação dos suspeitos, a polícia permaneceu empenhada em sua localização e empregou todos os recursos disponíveis para sua prisão”, afirmou o delegado Izaias Cordeiro, chefe da Subdivisão Policial de Umuarama, região que abrange o território de Icaraíma.
Segundo as autoridades, os foragidos foram localizados após serem feitos “levantamentos de inteligência” e “monitoramento”. A polícia ainda não deu outros detalhes sobre suas ações. “Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio à mata”, relatou ainda o delegado Thiago Teixeira, do departamento de Operações Especiais.
O caso teve início há um ano, quando quatro homens que atuavam como cobradores irregulares de dívidas, uma espécie de jagunços, desapareceram após irem de São Paulo para Icaraíma para realizar a cobrança do valor referente à compra de um terreno rural.
Os principais suspeitos também logo desapareceram, e, dias depois, a polícia encontrou os corpos das vítimas soterrados em bunkers que existem na região por causa de uma rota do tráfico de drogas internacional — outros criminosos usam esses espaços para esconder drogas que precisam transportar por lá.
O caso teve diversas reviravoltas, sendo uma delas uma carta anônima, que chegou à polícia com indicativos de onde os corpos poderiam ser encontrados, após dias em que as autoridades trabalhavam sem qualquer avanço nas investigações.
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Relembre o caso
Três amigos desapareceram após viajarem de São Paulo ao Paraná para cobrar uma dívida de 255. 000 reais. Eles foram contratados por um homem — o quarto que desapareceu — para fazer a cobrança do débito, relativo a uma transação envolvendo um imóvel rural. A polícia trabalhava com a principal hipótese de que os devedores tenham matado os quatro.
Diego Henrique Afonso, Robishley Hirnani de Oliveira e Rafael Juliano Marascalchi trabalhavam irregularmente há pelo menos treze anos fazendo cobranças de dívidas de modo agressivo e persuasivo, segundo a polícia. Eles foram contratados por um morador de Icaraíma, no noroeste do Paraná, identificado como Alencar Gonçalves de Souza, para que cobrassem o valor de um terreno rural da cidade que ele vendeu à família Buscariollo, moradora da região.
Os três amigos saíram de São José do Rio Preto, em São Paulo, e chegaram a Icaraíma no dia 4 de agosto, quando já entraram em contato com os devedores. Sem resultado, eles voltaram no dia seguinte para continuar a cobrança, mas, desde então, perderam contato com os familiares — momento em que o desaparecimento deles foi informado à polícia.
“Os familiares deles contribuíram [com as investigações] (… ). Nenhum dos cobradores esclareceu exatamente a suas esposas qual era o exato objeto da cobrança. Eles falaram para elas de forma genérica que estavam vindo para o Paraná para cobrar uma dívida que tinha relação com um imóvel, mas não passaram para elas as minúcias do negócio que poderiam ajudar nas investigações”, explicou o delegado Gabriel Menezes na época.
Enquanto viajavam para o Paraná, os três homens fizeram uma foto no carro (imagem acima) e publicaram nas redes sociais.
Do outro lado, os familiares do contratante, Alencar de Souza, também informaram o desaparecimento dele desde o meio-dia do dia 4. As últimas pessoas que tiveram contato com ele teriam sido Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho, respectivamente, quando ele teria cobrado pessoalmente o valor que eles deviam.
Ambos foram ouvidos pela polícia assim que os desaparecimentos foram notificados e disseram não ter qualquer relação com a compra do terreno. Eles teriam indicado outras duas pessoas da família como devedoras do caso. Pai e filho foram liberados, mas, em seguida, as autoridades abriram mandados de prisão preventiva contra eles — quando os policiais foram até a casa deles, no entanto, não encontraram mais nenhuma pessoa da família. Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo passaram a ser considerados foragidos.
Os corpos das quatro vítimas foram encontrados enterrados em 19 de setembro, a 500 metros de onde o carro deles também foi encontrado, enterrado lateralmente, dias antes. Uma carta anônima foi entregue à polícia, ajudando-a a chegar à região.







