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Após demitir braço-direito, Witzel vai exonerar novo secretário de Fazenda

Governador do Rio de Janeiro faz uma série de mudanças no primeiro escalão após Operação Placebo

Por Cássio Bruno 3 jun 2020, 13h08 | Atualizado em 3 jun 2020, 17h43
Após demitir braço-direito, Witzel vai exonerar novo secretário de Fazenda Priorizar nos meus resultados Google

Investigado por corrupção, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), também vai exonerar o novo secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, que assumiu o cargo há menos de uma semana. Mercês era indicação de Lucas Tristão, então secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais, demitido nesta quarta-feira, 3, como mostrou a coluna Radar.

Guilherme Mercês é ex-economista-chefe da Federação das Indústrias do Estados do Rio (Firjan). Foi um dos principais assessores do senador Romário (Podemos) quando o ex-jogador de futebol disputou a eleição contra Wilson Witzel, em 2018. Mercês havia sido anunciado no cargo no Diário Oficial de 27 de maio. A demissão será oficializada em breve.

Tristão saiu do grupo de WhatsApp da pasta a qual chefiou. Mas escreveu: “Obrigado a todos pela parceria. Uma corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco. Nossa secretaria sempre seguiu firme e forte.” Já no grupo de secretários, ele enviou a seguinte mensagem: “governador, obrigado pela oportunidade. Desejo a todos muito sucesso na continuação dessa caminhada”. Nesta quarta-feira, Witzel faz reuniões com integrantes do gabinete de crise. O governador também anunciou o afastamento da Organização Social Instituto de Atenção Básico à Saúde (Iabas) da construção de hospitais de campanha do estado.

A saída de Lucas Tristão ocorreu após pressão de deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Witzel é alvo de 10 pedidos de impeachment depois que o governador começou a ser investigado por irregularidades em contratos emergenciais sem licitação na gestão, principalmente na área de Saúde. Em outro requerimento, de autoria dos parlamentares Luiz Paulo Corrêa da Rocha e Lucinha, ambos do PSDB, a Casa pedia o afastamento de Tristão do cargo.

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Na tentativa de barrar o impeachment, Witzel ofereceu cargos aos deputados em troca de apoio. Nos bastidores, os parlamentares exigiam a saída de Lucas Tristão. Antes de demitir seu braço-direito, o governador exonerou dois desafetos do agora ex-secretário: André Moura (Casa Civil e Governança) e Luiz Cláudio Rodrigues de Carvalho (Fazenda). Com as mudanças, Witzel fortaleceu Tristão, que ainda indicou Guilherme Mercês. O troca-troca revoltou a Alerj.

Em fevereiro deste ano, parlamentares acusaram Lucas Tristão de grampear ilegalmente e produzir dossiês contra os políticos da Alerj. Foi o estopim para a relação entre o governador e os deputados. Ex-aluno de Witzel na faculdade de Direito no Espírito Santo, Lucas Tristão é amigo e ex-advogado do empresário Mário Peixoto, preso na Operação Favorito. Segundo a força-tarefa da Lava-Jato, Peixoto participou de contratos fraudulentos sem licitação no governo. Tristão foi um dos coordenadores de campanha do então candidato na eleição de 2018.

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Após os escândalos de corrupção , Witzel também o ex-secretário de Saúde Edmar Santos (Saúde). O então secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, pediu exoneração após desgaste com o governador. A Civil iniciou as investigações da Operação Placebo, que mirou Witzel e a primeira-dama Helena em buscas e apreensões. Já o secretário de Trabalho e Renda, Jorge Gonçalves da Silva, entregou o cargo. O Republicanos, partido que o indicou, deixou a base do governo.

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