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Após assassinato de casal de ativistas, coletor de castanhas é morto no Pará

Por Da Redação 29 Maio 2011, 15h25

Um coletor de castanhas foi assassinado na mesma reserva ambiental na qual na terça-feira foram mortos a tiros dois líderes camponeses ameaçados por suas denúncias contra os madeireiros que destroem a Amazônia, informaram neste domingo fontes oficiais.

A Polícia Civil do Pará informou neste domingo que abriu uma investigação para estabelecer as circunstâncias do novo homicídio e esclareceu que por enquanto não pode confirmar uma conexão entre os dois crimes.

O corpo do camponês Erenilton Pereira dos Santos, de 25 anos, foi encontrado no sábado abandonado em uma área isolada do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAEX) Praialta Piranheira, uma reserva ambiental no Pará, a cerca de sete quilômetros do local do primeiro crime.

Pereira dos Santos, cujo corpo tinha aparentes feridas de bala na cabeça, estava desaparecido desde quinta-feira, dois dias depois que na mesma região foram assassinados a tiros o dirigente camponês e ecologista José Claudio Ribeiro da Silva e sua esposa, Maria do Espírito Santo da Silva, que lideravam as famílias que vivem da coleta de castanha na reserva.

Apesar de alguns meios de comunicação afirmarem que a nova vítima tinha sido testemunha do crime da terça-feira, o delegado Silvio Maués, diretor da Polícia do Interior do Pará, esclareceu que até agora as autoridades não sabiam que havia testemunhas do duplo homicídio. “Mas averiguaremos tudo”, disse.

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“É muito cedo para vincular este episódio à morte do casal de extrativistas ocorrida esta semana na mesma área. O momento agora é de investigação. Se existe um vínculo, ele aparecerá naturalmente no curso das apurações”, disse, por sua vez, o secretário de Segurança Pública do Pará, Luiz Fernandes Rocha.

A reserva na qual ocorreu o duplo homicídio está localizada em jurisdição do município de Nova Ipixuna, em uma região na qual são recorrentes os conflitos entre fazendeiros e agricultores pela propriedade da terra e entre pequenos coletores e madeireiros pela preservação da Amazônia.

Nas chamadas reservas de extração é permitida a exploração sustentável da floresta, mas não a poda de árvores, para garantir simultaneamente a preservação da floresta e o sustento de milhares de coletores de frutos.

O casal assassinado na terça-feira vinha recebendo ameaças há vários meses por suas denúncias contra os madeireiros que derrubam ilegalmente árvores de alto valor comercial nesta reserva de perto de 22 mil hectares e na qual vivem cerca de 500 famílias. Com o novo homicídio, foi elevado para quatro o número de agricultores assassinados na última semana na Amazônia em conflitos de terra.

Na sexta-feira, o também líder camponês Adelino Ramos, conhecido como “Dinho” e um dos sobreviventes do massacre de Corumbiará em 1995, foi assassinado a tiros em Roraima.

(Com EFE)

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