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Apesar de pendência judicial, tesoureiro de Dilma segue

A escolha do tesoureiro de campanha é um ponto delicado em uma corrida presidencial. Ainda mais quando se trata do PT. Basta lembrar de Delúbio Soares, que ocupou o posto em 2002 e depois foi acusado de pavimentar o caminho de Lula até o Planalto com recursos ilegais – além, é claro, de compor o que o procurador-geral da República chamou de “quadrilha” do mensalão. O teroureiro enrolado da vez é José Di Filippi Júnior. Antes mesmo de assumir integralmente as finanças da campanha da pré-candidata Dilma Rousseff, o engenheiro e ex-prefeito de Diadema, cidade da Grande São Paulo, já está às voltas com pendengas judiciais. A despeito da sentença final, contudo, o PT já deu seu veredicto: Di Filippi será mantido no cargo.

Em 2008, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Di Filippi a devolver cerca de 2 milhões de reais aos cofres de Diadema, cidade comandada por ele em três oportunidades. À frente da prefeitura, ele contratara, em 1996, sem licitação, o escritório de advocacia de Luiz Eduardo Greenhalgh, outro petista. Além de devolver o dinheiro pago ao advogado, Di Filippi foi condenado à perda dos direitos políticos por cinco anos. Ele ainda pode recorrer da decisão.

As atribuções do posto de tesoureiro não serão novidade para Di Filippi. Afinal, em 2006, ele já coordenara as contas da vitoriosa campanha de Lula à reeleição. Desta vez, sua função será administrar mais de 270 milhões de reais, valor que os petistas pretendem gastar para fazer de Dilma a sucessora de Lula.

Confira a seguir o perfil – e alguns rolos – dos tesoureiros presidenciais petistas:

José Di Filippi Júnior2006 e 2010

José Di Filippi Júnior

O engenheiro e ex-prefeito de Diadema (SP) é um dos fundadores do PT no ABC Paulista. Peça-chave na campanha de Lula em 2006, conseguiu ser discreto o suficiente para arrecadar fundos sem alarde – evitando novos escândalos como o do mensalão. O petista circula bem entre empresários e banqueiros e tem técnicas conhecidas na hora de arrecadar dinheiro: jantares, contribuições via internet e doações de simpatizantes dos candidatos.

Delúbio Soares2002

Delúbio Soares

Ex-professor de matemática, foi sindicalista e tesoureiro da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e coordenador das campanhas de Lula em 1989 e 1998. Em 2000, assumiu o posto de tesoureiro do PT. Em 2005, foi apontado pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, como membro da “quadrilha” do mensalão, esquema de compra de votos de parlamentares da base aliada no Congresso. Após o escândalo, foi expulso do PT.

Clara Ant1998

Clara Ant

Formada em arquitetura, Clara é nome de confiança do presidente Lula. Filiada ao PT desde sua fundação, em 1980, integrou a primeira bancada do partido na Câmara dos Deputados. Dois anos depois, foi responsável pela primeira filiação de um sindicato (o de Arquitetura) à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Foi uma das responsáveis pela elaboração do programa de governo de Lula, em 2002, com projetos como o Fome Zero, uma das grandes bandeiras da gestão federal. Clara foi assessora especial do presidente.