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Apesar de acordo, caminhoneiros mantêm bloqueios em seis Estados

Governo anunciou na noite de quarta que chegou a consenso com representantes da categoria. Movimento, contudo, não é liderado por sindicatos

Por Da Redação - 26 fev 2015, 08h57

Atualizado às 12h20

No dia seguinte ao anúncio de um acordo entre governo federal e representantes de sindicatos e associações de caminhoneiros, os bloqueios persistem em pelo menos seis Estados nesta quinta-feira: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Na noite desta quarta, representantes da categoria presentes na reunião em Brasília aceitaram a proposta apresentada pelo governo, que não contempla as duas principais demandas dos grevistas: a redução no preço do diesel e o estabelecimento de um valor mínimo para o frete. O acordo, no entanto, não garante o fim dos bloqueios, já que o movimento não é liderado por sindicatos.

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De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), há 39 pontos de bloqueio nas estradas gaúchas, segundo atualização feita às 11 horas, e onze em Santa Catarina. O Paraná está com 17 pontos bloqueados. No Mato Grosso, dez pontos estão bloqueados em trechos das BRs 163, 364 e 070, incluindo os municípios de Primavera do Leste, Sorriso e Sinop, que foram liberados na quarta-feira, mas voltaram a ser obstruídos na manhã de hoje. No Mato Grosso do Sul, a concessionária CCR MS Via confirma bloqueio na BR-163, em Dourados. Já em Minas Gerais, a PRF informou que os caminhoneiros bloquearam a BR 050, no km 62, em Araguari. Viaturas estão no local para negociações.

Com influência em mais de cem pontos de paralisação, o Comando Nacional do Transporte não aceitou a oferta do governo e prometeu continuar com a greve. “Nós estamos com lucro zero, aí o governo nos propõe de ficar tendo lucro zero mais seis meses. Eu acho que eles não regulam certo da cabeça. Devem estar com problema. Infelizmente não teve acordo, nós não aceitamos a proposta”, declarou Ivar Schmidt, o principal porta-voz da entidade, ao site de VEJA. Ivar, que dialoga com os representantes regionais do movimento pelo Whatsapp, disse qual foi a orientação enviada aos colegas na noite de quarta: “O recado é claríssimo: o movimento continua.”

Proposta – A proposta do governo aceita pelos sindicatos prevê o congelamento do preço do diesel pelos próximos seis meses, além de duas outras garantias: a primeira é uma carência de 12 meses para os caminhoneiros autônomos ou microempresas que tenham adquirido caminhões por meio de dois programas do governo, o Finame e o Procaminhoneiro. A segunda é a sanção integral da Lei do Caminhoneiro, aprovada pelo Congresso neste mês. A medida atualiza as regras sobre carga de trabalho, horas de descanso e pagamento de pedágios pelos caminhoneiros.

Um dos representantes da categoria que participou da reunião, o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, pediu o fim da greve. “Diante da gravidade que se encontra o país neste momento, nós pedimos a sensibilidade dos caminhoneiros de liberar as rodovias pelas conquistas que tiveram aqui”, disse ele. Apesar da exigência do ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, de que o acordo só será cumprido quando as estradas forem liberadas, Diumar deixou claro que não poderia “garantir que a greve vai acabar”.

(Da redação de VEJA.com)

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