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Apesar da crise, ainda há oportunidades neste mês

Por Da Redação 16 dez 2008, 06h55

Por Maria Carolina Maia

O mundo enfrenta uma grave crise e, para os brasileiros, o ano só costuma engrenar depois do Carnaval. Portanto, quem está desempregado deve esperar até março para procurar trabalho, certo? Errado. Pelo menos é o que dizem consultores e profissionais de recursos humanos entrevistados por VEJA.com. Apesar de toda a instabilidade internacional e da postura cautelosa das empresas em tempos de crise, há setores que parecem imunes à turbulência e devem contratar.

“Ainda há muitas oportunidades”, diz Alexandre Garrett, que promove um prêmio anual dos profissionais de RH mais admirados do país. “Há empresas fazendo seleção de profissionais para começar a trabalhar em janeiro. E parte do comércio está recrutando gente agora, depois de ver que a percepção da crise pelo consumidor ainda é distante. Não há demanda por grandes bens de consumo, é fato, mas roupas e eletrodomésticos seguem vendendo”, explica ele.

Além do varejo e da hotelaria, costumeiramente fortes nesta época do ano, setores como os de alimentos, agronegócios, bebidas, cosméticos e farmacêutico são algumas áreas destacadas pelos especialistas. “O segmento de cosméticos não pára na crise, porque as pessoas querem levantar a auto-estima”, afirma Maria de Lourdes Scalabrin, sócia-diretora da S&L RH, companhia que presta serviços de recrutamento para vagas efetivas, seleção para trabalhos temporários e consultoria empresarial.

Maria de Lourdes lembra que o marketing promocional é uma fonte rica de oportunidades, ainda que temporárias, entre dezembro e fevereiro, por conta do fim de ano e do verão – com ou sem crise. Neste segmento, a S&L RH está registrando um crescimento de 40% no último trimestre de 2008 em comparação com o mesmo período do ano passado. “A indústria tem de vender e está comprovado que o consumidor se decide no ponto de venda”, destaca ela.

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Expansão – Outra alternativa de atividade temporária é a cobertura de férias de funcionários já contratados. Ainda que paliativa, a opção pode ser interessante, e não apenas como forma de garantir algum dinheiro. “Trabalhos temporários são excelentes portas de entrada para as empresas”, lembra Garrett. Áreas menos tradicionais também mostram força em meio à crise. Conforme Jorge Gounaris, diretor da Brightlink, consultoria que faz recrutamento e seleção, o segmento de energia eólica e o de desenvolvimento de projetos de tecnologia para telecomunicações vêm recrutando profissionais. Em expansão, o setor eólico procura principalmente engenheiros.

Oportunidades, portanto, existem. Profissionais considerados “genéricos” – como os de RH, comunicação, finanças e de administração – podem se valer de sua rede de contatos para atingir postos em algum dos setores que parecem resistir às intempéries da economia. Desde que eles preencham os requisitos da empresa contratante, a falta de experiência no setor escolhido torna-se irrelevante. “Quem está procurando emprego agora tem de ampliar o campo de visão e não procurar apenas na área de conforto. Tem de olhar outras cidades, outras regiões, outros setores”, diz Gounaris.

Na geladeira – O conselho de Gounaris faz sentido. São muitas as empresas que estão congelando planos de ampliação da equipe. Portanto, olhar para o lado pode ser uma boa saída. A Brightlink, conta ele, teve um ano excelente até a eclosão da crise. O primeiro trimestre não apresentou a retração que é normal para o período e, até setembro, a empresa cresceu cerca de 35%. Neste último trimestre, porém, os efeitos da crise chegaram, e a Brightlink tem agora cerca de 20% dos seus projetos de recrutamento congelados. “Muitas contratações foram suspensas”, confirma Maria de Lourdes, da S&L RH. Otimista, ela acha possível que haja uma retomada em janeiro.

Wagner Brunini, diretor de RH da Basf e vice-presidente da seccional paulista da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), reconhece que o momento pode tornar as empresas mais exigentes na hora de contratar. Mas garante que a Basf, representante da área química, não alterou os planos de recrutamento pessoal, e conta que a companhia acaba de selecionar quinze trainees.

“É claro que a incerteza econômica potencializa a necessidade de escolher quem há de melhor no mercado, mas a Basf está mantendo o seu processo de seleção da mesma forma de antes da crise”, afirma Brunini. A empresa também não deve reduzir salários. “Se diminuíssemos o salário de um novo contratado, haveria gente com igual competência e diferentes remunerações, o que poderia criar um mal-estar, já que a questão salarial não é tão confidencial quanto se pensa dentro de uma organização. E quem se sente diminuído rende menos.”

Pequenas e médias – Por outro lado, o congelamento das vagas nas grandes empresas pode ser uma boa notícia para as companhias de menor porte. “Instalada a crise, as grandes companhias pensam em enxugar custos, se limitando a contratações pontuais ou recorrendo a terceiros”, afirma Garrett. O headhunter Robert Wong também enxerga oportunidades nas pequenas e médias empresas. “As multinacionais costumam seguir as regras da matriz e congelar contratações ou mesmo demitir. Pequenas e médias não seguem as mesmas regras”, lembra ele.

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