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Amor, estranho amor: defesa afirma que Bruno e Macarrão tinham um caso

Depois de conversar com jogador, advogados confirmam autenticidade da carta revelada por VEJA. Rui Pimenta afirma que goleiro e seu funcionário eram amantes

Por Da Redação - 9 jul 2012, 18h16

As versões dos dois advogados só são convergentes em relação à “inocência” de Bruno. Ambos afirmam que o goleiro não tem qualquer responsabilidade sobre o crime. Afirmam, inclusive, que Bruno não sabia do desaparecimento da jovem – um desmentido absurdo, a essa altura do processo, quando há provas de que Eliza foi mantida em cativeiro no sítio do jogador

Diante da possibilidade da descoberta de um plano para livrar o goleiro Bruno do processo sobre a morte da jovem Eliza Samudio, os advogados do atleta apresentaram, nesta segunda-feira, sua versão para a carta escrita por ele endereçada ao amigo e funcionário Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. Após uma visita ao jogador, preso em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, os advogados Rui Caldas Pimenta e Francisco de Assis Simim, confirmaram no início desta tarde que o atleta é o autor da mensagem. Ambos informam que o manuscrito data de novembro de 2011. A reportagem de VEJA havia submetido o documento a dois peritos, que atestaram a autenticidade da assinatura de Bruno.

Para Pimenta, o “plano B” que consta na carta não tem relação com uma mudança na estratégia de defesa. O recado, para os defensores de Bruno, é referente a um “rompimento” de um relacionamento amoroso entre Bruno e Macarrão. Como convém a quem quer tumultuar o cenário, os dois defensores têm interpretações que não se encaixam: enquanto Pimenta afirma inclusive que Bruno e Macarrão eram ambos “ativos e passivos” na relação homoafetiva, Simim prefere acreditar que o que existia entre os dois principais acusados da morte de Eliza era somente uma forte amizade.

LEIA A CARTA ESCRITA POR BRUNO PARA MACARRÃO

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“Na carta, o Bruno está chamando a atenção do Macarrão sobre as consequências do possível crime contra a jovem, que amigo possa ter alguma responsabilidade. Ela fala da questão de quebra de confiança da amizade entre eles, não tem nada de pedido para assumir sozinho o suposto crime”, disse Simim.

Rui Pimenta, por sua vez, tenta sustentar a versão de que Macarrão agiu impulsionado pelo amor que nutria por Bruno, e com “ciúme e ódio” contra Eliza, que tentava fazer com que o goleiro reconhecesse a paternidade do menino Bruninho, atualmente com 2 anos.

As versões dos dois advogados só são convergentes em relação à “inocência” de Bruno. Ambos afirmam que o goleiro não tem qualquer responsabilidade sobre o crime. Afirmam, inclusive, que Bruno não sabia do desaparecimento da jovem – um desmentido absurdo, a essa altura do processo, quando há provas de que Eliza foi mantida em cativeiro no sítio do jogador e que, enquanto ela era sequestrada, Bruno e seus parceiros no crime se falaram dezenas de vezes por celular. “O Bruno deu os 30 mil reais para o Macarrão entregar à Eliza para ela ir embora de Minas Gerais. O que aconteceu depois ninguém sabe”, disse Pimenta.

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Os advogados de Bruno também vão à Justiça para saber em que circunstância o agente penitenciário interceptou a carta escrita por Bruno, sem informar à Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Querem saber também a razão para o documento não ter chegado às mãos de Macarrão. Eles também pretendem anexar uma cópia do documento ao processo.

O advogado de acusação José Arteiro Cavalcante de Lima, que atua junto ao Ministério Público, também disse nessa segunda-feira que pretende solicitar à Justiça uma cópia da carta para anexá-la ao processo do sequestro e morte de Eliza, que corre na 14ª promotoria do Tribunal do Júri de Contagem. Arteiro e os promotores do caso alertaram, no ano passado, sobre a possibilidade de uma manobra da defesa para tentar livrar o goleiro Bruno, deixando a culpa para Macarrão ou outros acusados.

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