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Amigo de menor morto pela PM pede para entrar em programa de proteção a testemunhas

Garoto de 11 anos já deu três depoimentos diferentes à polícia. Advogado do Conselho Estadual de Direitos Humanos afirma que o menor foi ameaçado de morte pelos PMs

Por Eduardo Gonçalves 14 jun 2016, 19h54

O menor de 11 anos que presenciou a morte do colega Ítalo, de 10 anos, enquanto roubavam um carro na Zona Sul de São Paulo, entrou com um pedido na Secretaria estadual de Justiça para ingressar no programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte. A solicitação também abrange seus familiares – a mãe e os três irmãos. No dia 2 de junho, Italo foi alvejado no rosto por um policial militar após supostamente ter atirado contra PMs durante a fuga. O amigo o acompanhava no banco do passageiro do veículo.

A ideia de entrar no programa partiu do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe). Segundo o advogado que representa a entidade, Ariel de Castro, a criança lhe contou que foi ameaçada de morte pelos policiais que participaram da ação. “Ele é uma vítima sobrevivente que precisa de proteção. Nós entendemos que o menino, como ele mesmo já relatou, foi ameaçado de morte no dia da ocorrência e foi agredido também”, afirmou o advogado, que está em contato direto com a família dos dois garotos.

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A Corregedoria da Polícia Militar e o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) investigam se os policiais agiram em legítima defesa ou se praticaram uma execução. Considerado peça-chave no caso, o menino já apresentou três versões diferentes às autoridades policiais. Na primeira, corroborou a versão dos PMs, dizendo que Ítalo disparou contra eles três vezes, uma com o carro parado. Na segunda, afirmou que os disparos foram feitos apenas com o veículo em movimento. E na terceira, que estavam desarmados e que o revólver calibre 38 encontrado na mão de Ítalo foi “plantado” pelos policiais.

O pedido deve ser analisado por um conselho constituído por grupos de direitos humanos e Ministério Público ligado à secretaria. Caso ele seja concedido, o garoto e os familiares devem se mudar do Estado de São Paulo.

O advogado que defende os seis policiais envolvidos na ação, Marcos Manteiga, classificou como “exagerado” o pedido para ingressar no programa de Proteção a Testemunhas, alegando que não houve nenhum tipo de ameaça ao garoto.

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