Aliados de Flávio cobram mudanças na pré-campanha após sequência de desgastes
Paulo Figueiredo e Fabio Wajngarten defendem reformulação da equipe de estratégia depois de semanas marcadas por crise envolvendo o pré-candidato do PL
A sequência de desgastes enfrentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na sua corrida ao Palácio do Planalto já começa a produzir efeitos dentro do próprio campo bolsonarista. Nos últimos dias, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro defenderam publicamente mudanças na estrutura da pré-campanha presidencial do filho Zero Um, em manifestações que expõem incômodos com a condução política e da comunicação do projeto eleitoral.
As cobranças surgem após semanas de turbulência envolvendo o pré-candidato. Em maio, reportagens revelaram negociações financeiras entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, episódio que levou o senador a admitir a tratativa, embora negue qualquer irregularidade.
Mais recentemente, rumores sobre um suposto vídeo gravado em uma festa promovida por Vorcaro passaram a circular nos bastidores políticos. Flávio afirma que esse vídeo não existe.
Nesta sexta-feira, influenciador Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos e é aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, afirmou, em publicação nas redes sociais, que pessoas que “vendem proximidade” com a campanha estariam criando sucessivos rumores e prejudicando o desempenho eleitoral do senador.
“Um bando de gente escanteada que fica vendendo proximidade que não existe e acaba atrapalhando a campanha. Toda hora é um rumor novo”, reclamou Figueiredo em sua rede social. No mesmo post, ele criticou a exploração da vida privada de figuras públicas e classificou esse tipo de debate como “asqueroso”, afirmando que provoca efeitos traumáticos sobre familiares.
As críticas vieram acompanhadas de uma cobrança mais explícita por mudanças na campanha. Na quarta-feira, 8, o ex-secretário de Comunicação da Presidência no governo Jair Bolsonaro e advogado Fabio Wajngarten dirigiu um apelo público ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defendendo uma reformulação da coordenação política e da comunicação da pré-campanha.
Caro Presidente Valdemar,
Time que não performa tem que mexer:
Sugestões:
Coloque imediatamente o Marcelão como coordenador geral da campanha;
Coloque imediatamente o Duda Lima como Diretor de Operações da Comunicação;
Coloque imediatamente o Walter Longo como diretor de…— Fabio Wajngarten (@fabiowoficial) July 8, 2026
Na publicação, Wajngarten sugeriu nomes para funções estratégicas, como o publicitário e ex-coordenador de comunicação da campanha de Flávio, Marcello Lopes (o “Marcelão”) na coordenação-geral, com o marqueteiro Duda Lima na direção de comunicação, o executivo Walter Longo no planejamento estratégico e o publicitário Antônio Costa Neto (o “Toninho”) na criação.
O coordenador-geral da campanha, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, é o senador Rogério Marinho (PL-RN).
Wajngarten também propôs maior aproximação com lideranças dos segmentos evangélico, católico, do agronegócio, da segurança pública, da educação, da saúde e do varejo. “Time que não performa tem que mexer”, escreveu. Em seguida, acrescentou: “É bom a patifaria acabar. É bom que políticos ditos aliados se juntem à campanha ao invés de criar fantasias que gerem turbulência numa campanha decisiva para o Brasil”, escreveu.
Embora nenhum dos dois aliados faça críticas diretas a Flávio Bolsonaro, as manifestações tornam pública uma discussão que até então permanecia restrita aos bastidores do bolsonarismo. O foco das reclamações não está na candidatura em si, mas na avaliação de que a condução da pré-campanha tem permitido o acúmulo de crises políticas e de desgaste de imagem antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral.
A movimentação também ocorre em um momento de crescente disputa interna pela condução do projeto presidencial do PL. Nas últimas semanas, divergências entre diferentes alas do bolsonarismo vieram a público em episódios envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o próprio Flávio. As manifestações de Paulo Figueiredo e de Wajngarten ampliam esse cenário ao expor, agora de forma aberta, uma cobrança por mudanças na estratégia da campanha.







