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Álcool em gel caseiro pode ‘potencializar’ coronavírus

Conselho Federal de Química alerta para perigo de uso de produtos caseiros, que podem trazer riscos à saúde

Por Hugo Marques Atualizado em 18 mar 2020, 18h40 - Publicado em 18 mar 2020, 18h20

O Conselho Federal de Química (CFQ) está divulgando um alerta para a população, que enfrenta o surto de coronavírus, para que não use álcool em gel caseiro. Diversas receitas estão circulando na internet, mas são receitas que podem causar efeito contrário, ou seja, podem ajudar na proliferação do vírus, além de causar acidentes graves.

“Quando se utiliza álcool líquido em elevadas concentrações, aumenta-se bastante o risco de acidentes que podem provocar incêndios, queimaduras de grau elevado e irritação da pele e mucosas”, diz o CFQ. “A depender do que se utiliza como espessante, ao invés de eliminar microrganismos pode-se potencializar sua proliferação”.

Os produtos industrializados, diz o CFQ, passam por rigorosos processos de produção, com padrões de qualidade. “Já o álcool em gel fabricado a partir de receitas e métodos caseiros não passa por nenhum controle de qualidade, por isso sem garantia de eficácia”, diz o CFQ.

VEJA reproduz algumas das perguntas e respostas que o CFQ divulgou para esclarecer a população sobre álcool gel caseiro, limpeza de eletrônicos e outros temas relacionados ao coronavírus:

Álcool gel é eficaz contra o novo coronavírus?  Sim. É recomendado pelas autoridades nacionais e internacionais de saúde, como a Organização Mundial de Saúde – OMS e o Ministério da Saúde.

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Posso produzir meu próprio álcool gel em casa? Algumas receitas caseiras estão circulando na internet e, em geral, recomendam a produção do álcool em gel a partir do álcool líquido concentrado. O CFQ preza pela segurança da população brasileira, por isso, não recomenda essa prática tanto pelos riscos associados quanto por confrontar a legislação brasileira.

Quais os riscos associados à produção caseira de álcool em gel? Quando se utiliza álcool líquido em elevadas concentrações, aumenta-se bastante o risco de acidentes que podem provocar incêndios, queimaduras de grau elevado e irritação da pele e mucosas. A depender do que se utiliza como espessante, ao invés de eliminar microrganismos pode-se potencializar sua proliferação.

Por que usar álcool em gel contra o novo coronavírus? O álcool gel, por ser considerado antisséptico, ajuda na prevenção ao contágio pelo coronavírus e sua indicação pauta-se nas medidas de prevenção ao contágio de doenças respiratórias. Estudos demonstram melhor eficácia do produto em soluções 70%, que é o recomendado pela ANVISA para os serviços de saúde brasileiros e o indicado pela OMS na Lista de Medicamentos Essenciais.

O que significa dizer que um produto é antisséptico? Quando se fala de desinfecção, fala-se do uso de métodos físicos ou químicos com a intenção de eliminar boa parte dos microrganismos patogênicos. Os produtos químicos utilizados para tal fim são chamados de germicidas e podem ser desinfetantes ou antissépticos. Os desinfetantes tem seu uso voltado para superfícies e objetos inanimados, já os antissépticos são aplicados em tecidos vivos como pele e mucosas, e por isso sua composição deve ser pensada de modo a não causar irritação.

Existem outros produtos antissépticos que posso utilizar contra o novo coronavírus, em substituição ao álcool etílico? Sim. As recomendações das autoridades de saúde para higienização das mãos são tanto o álcool gel quanto a lavagem com água e sabão. Sabões e detergentes de um modo geral, graças às suas propriedades químicas, removem a maior parte da flora microbiana na superfície da pele. Eles são compostos de moléculas que apresentam em sua estrutura uma parte apolar e outra polar. A parte apolar, lipofílica, é quimicamente atraída pelas moléculas apolares dos lipídios constituintes da membrana celular dos microrganismos. Simultaneamente, a parte polar interage com as moléculas de água (que também é polar). Essas interações simultâneas fazem com que os microrganismos sejam envolvidos pelo sabão, retirados da pele e levados embora com a água.

Como higienizar meus equipamentos eletrônicos? O mais recomendado para equipamentos eletrônicos seria o álcool isopropílico, uma vez que, por possuir um carbono a mais que o etanol na cadeia carbônica, é menos miscível em água, dificultando a oxidação das peças. Deve-se ter cuidado com a quantidade de produto aplicada, não devendo molhar o equipamento e bastando aplicar com um pano/lenço/papel embebido no álcool.

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