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AIR repudia assassinato de radialista na BA

Por Tiago Décimo

Salvador – A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) emitiu, hoje (quarta-feira), uma nota de repúdio ao assassinato do radialista Laércio de Souza, de 40 anos. Profissional da Rádio Sucesso, de Camaçari, região metropolitana de Salvador, Souza foi morto a tiros no início da tarde de ontem (terça-feira), no bairro Jardim Renato, considerado um dos mais violentos do município vizinho de Simões Filho.

De acordo com testemunhas, dois homens atiraram em Souza enquanto ele acompanhava obras de construção de um galpão em terreno de sua propriedade. Pelo menos cinco tiros foram disparados, dos quais três atingiram a vítima. O radialista ainda teria tentado fugir para uma casa próxima, mas foi alcançado pelos atiradores, que fugiram em seguida.

Segundo agentes da 22ª Delegacia, Souza vinha sofrendo ameaças, por parte de traficantes de drogas da região, por causa de seus projetos sociais. O radialista, que tinha pretensões políticas – ele seria pré-candidato a vereador de Simões Filho -, tinha um projeto para recuperação de jovens drogados e planejava a distribuição cestas básicas para a comunidade carente da região.

De acordo com a AIR, “o recrudescimento da violência cometida pelo narcotráfico contra jornalistas em países da América Latina exige enérgica reação das autoridades policiais e judiciais”. “Sempre que o direito à liberdade de imprensa e ao acesso à informação está ameaçado, é a democracia que corre perigo”, diz a nota, assinada pelo diretor-presidente da entidade, Héctor Amengual Luis Pardo Sáinz.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) também emitiu nota sobre o caso, cobrando que o poder público “atue prontamente para o esclarecimento e a punição dos responsáveis” pelo assassinato do radialista Laércio de Souza, da Rádio Sucesso, de Camaçari, região metropolitana de Salvador. O crime ocorreu por volta das 12h30.

De acordo com a nota, assinada pelo presidente da Abert, Emanoel Soares Carneiro, “profissionais e veículos de comunicação têm sido alvos cada vez mais frequentes do narcotráfico e do crime organizado” e é preciso agilidade das autoridades. “Sob pena de vermos a liberdade de expressão e de imprensa, princípios vitais à democracia, ameaçada por imposição da violência”, diz o texto.