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Afeganistão exige comprometimento dos talibãs para retomada do diálogo

Andrés Mourenza.

Istambul, 1 nov (EFE).- O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou nesta terça-feira em Istambul (Turquia) que as autoridades de seu país não voltarão a dialogar com os talibãs até que o movimento radical aja de acordo com os bons ofícios, mas deixou a porta aberta para retomar as negociações com o Paquistão.

O assassinato do ex-presidente afegão e chefe das negociações de paz, Burhanuddin Rabbani, ocorrido no dia 20 de setembro em sua própria casa em Cabul significou um duro golpe à estratégia que se tinha aberto com o diálogo entre o Governo e a insurgência talibã.

‘Até o assassinato de Rabbani estávamos plenamente dedicados à negociação com os líderes talibãs, estivessem eles no Afeganistão, no Paquistão ou em qualquer outro lugar. Ao mesmo tempo estávamos comprometidos em processo (de diálogo) com o Paquistão’, destacou Karzai. ‘Mas a pessoa que veio como um enviado do talibã acabou se mostrando um terrorista suicida’, disse, em referência ao atentado.

‘Não podemos continuar conversando com suicidas. Até que não tenhamos um número de telefone, um endereço, uma porta onde chamar, não poderemos retomar o diálogo’, exclamou o líder.

Mesmo assim, Karzai se mostrou aberto ao diálogo com o Paquistão, país acusado pelo Afeganistão e pelos Estados Unidos de colaborar com os insurgentes.

Com a mediação turca, em Istambul, os dois países decidiram nesta terça-feira cooperar na investigação para esclarecer o assassinato de Rabbani compartilhando informações entre seus serviços secretos, anunciou o presidente da Turquia, Abdullah Gül, ao término da sexta Cúpula Trilateral Turquia-Afeganistão-Paquistão.

‘Esperamos que a cooperação entre ambos os países sobre o assassinato de Rabbani possa levar a um novo entendimento’, manifestou Karzai.

‘O assassinato de Rabbani ocorreu para deter o processo de paz e ambos os presidentes concordam com isso. Portanto, o processo de paz deve continuar’, disse Gül, encorajando as partes a retomar o diálogo.

O líder afegão reconheceu ‘avanços’ nos contatos bilaterais após a chegada de um ‘Governo democrático’ ao Paquistão em 2008, mas assinalou que a necessidade de mediação da Turquia para juntar às delegações paquistanesa e afegã ‘mostra a dificuldade da situação na região’.

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, também se mostrou favorável às conversas diplomáticas. ‘Chegou-se a um ponto em que deve haver uma solução regional para o Afeganistão’.

Zardari aproveitou, no entanto, para fazer uma referência velada aos Estados Unidos em relação ao diálogo regional, em meio às recentes tensões diplomáticas entre Washington e Islamabad. ‘Embora amigos de longe queiram nos ajudar, pode ser que não entendam nossa cultura’.

O líder paquistanês disse apoiar a Turquia para a mediação das conversas entre as autoridades de Cabul e Islamabad, pois, como ‘país muçulmano’, pode estar em melhores condições para ajudar. EFE