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Aécio defende pacto de governabilidade com governo

Por Da Redação 29 ago 2011, 19h57

Por Marcelo Portela

Belo Horizonte – O senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu hoje um “pacto de governabilidade” da oposição com o Executivo federal para aprofundar a “faxina” em órgãos públicos e aprovar grandes reformas necessárias ao País. Em evento separado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também afirmou que é possível uma “convergência”, mas sem “adesão” ao governo petista. Para o presidente nacional do PT, deputado federal Rui Falcão, porém, as propostas são apenas “retórica” porque a oposição à presidente Dilma Rousseff está “sem projeto, sem rumo”.

Em palestra a empresários na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte, Aécio, possível candidato tucano às eleições presidenciais de 2014, fez uma série de críticas ao “aparelhamento da máquina pública” federal. Mas afirmou que os partidos de oposição estariam dispostos a ajudar o governo a aprofundar a “faxina” – demissões de ocupantes de cargos públicos acusados de corrupção.

“Falta ao governo, na minha avaliação, a coragem necessária para chamar as oposições e acertar conosco um pacto de governabilidade que impeça que aqueles que querem se locupletar, aqueles que queiram se aproveitar do Estado para objetivos menos nobres tenham o status que estão tendo hoje”, declarou o senador.

Pouco depois, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, homenageado no 2º Fórum Liberdade e Democracia, também na capital mineira, avaliou que um acordo da oposição com o Executivo “depende um pouco da atitude do próprio governo, de querer realmente fazer a faxina”. “Se quiser avançar mais, acho que é buscar a convergência. Isso não deve ser confundido com adesão. Nós temos pontos de vista diferentes em muitas matérias e vamos manter”, adiantou.

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Para Aécio, os problemas enfrentados hoje pelo Executivo resultam do “maior aparelhamento da máquina pública na história”, promovido pelo próprio governo petista ao permitir que “feudos sejam dominados por partidos políticos”. “Hoje, vemos que o governo tem como prioridade dar satisfação para a imprensa em relação a uma chamada faxina, que tenho minhas dúvidas sobre a amplitude disso. E de forma contraditória, no mesmo momento, dar satisfação à sua base de apoio. É claro que o resultado é esse que estamos acompanhando todo dia”, disparou.

Responsabilidade

Mas o senador defendeu “responsabilidade” por parte da oposição para permitir que projetos necessários ao País sejam discutidos. Segundo ele, partidos como PSDB, DEM e PPS precisam ter “discernimento que nossos adversários não tiveram no passado, para separar as questões de Estado daquelas questões de governo”. “Ter a capacidade de sentar à mesa com o governo para discutir, por exemplo, as grandes reformas que aí estão imobilizadas e paralisadas, é também responsabilidade da oposição”, salientou.

Aécio lembrou que há quem defenda a radicalização da oposição e que críticos mais ferozes do governo “cobram uma ação oposicionista mais dura, mais frontal”. “Eu digo sempre: oposição ao governo, contem comigo. Ao Brasil, jamais”, salientou. “Tem que estar ao lado do Brasil. Se a presidente quiser fazer faxina, se estiver ao lado do Brasil, nós estamos ao lado do Brasil”, concordou Fernando Henrique.

Para Rui Falcão, no entanto, o discurso de Aécio é uma forma de o senador buscar “espaço no seu próprio partido”, mas, na sua opinião, as críticas feitas pelo senador ao governo são “tênues” porque o próprio PSDB “não o tem encorajado muito a fazer oposição”. “Está sem projeto, sem rumo”, alfinetou. “Ele busca cavar espaço para uma eventual candidatura à Presidência da República, espera declinar o prestígio da presidente Dilma para então se apresentar abertamente”, acrescentou.

De acordo com o presidente petista, as propostas de possíveis negociações são apenas “parte da retórica” porque nenhum dos partidos de oposição “tem apoiado os projetos do Executivo”. “É preciso que eles mudem a postura de, por exemplo, torcer para que a inflação retorne, condenar as medidas de combate à crise mundial. Essas são as condições para que a gente possa eventualmente sentar e debater grandes projetos para o País”, concluiu, referindo-se ao PSDB, DEM e PPS.

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