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Advogados do goleiro Bruno pedem anulação do júri de Macarrão

Depois do abandono do tribunal e do adiamento do julgamento do goleiro, grupo tenta declarar, na Justiça, a "suspeição" da juíza Marixa Fabiane Rodrigues

De agora até 4 de março de 2013, data prevista para o início do júri do goleiro Bruno e de outros quatro acusados de participação na morte de Eliza Samudio, os advogados de defesa vão tentar de tudo para desqualificar a confissão de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e protelar decisões judiciais. Nesta terça-feira, o novo comandante da defesa do jogador, Lúcio Adolfo, afirmou que pretende pedir ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) a anulação do júri que na sexta-feira condenou Macarrão e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada de Bruno.

O criminalista também prepara uma petição solicitado a “suspeição” da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que presidiu o julgamento. Para Adolfo, houve “cerceamento da defesa”, pois, segundo ele, representantes de Bruno e Bola – corréus no processo – não tiveram acesso à sala onde os jurados tomaram suas decisões. Adolfo é o novo defensor. Mas a linha de defesa e as práticas se assemelham ao do primeiro advogado de Bruno, o barulhento Ércio Quaresma.

Agora na condição de defensor apenas do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, Quaresma comandou o movimento que culminou com o adiamento dos julgamentos de seu cliente, de Bruno e de Dayanne Souza, ex-mulher do goleiro. Na sexta-feira, enquanto Macarrão e Fernanda aguardavam decisão do corpo de jurados, Quaresma e os colegas Fernando Magalhães e Zanone Manoel de Oliveira Júnior apresentaram no TJMG pedido de nulidade do julgamento alegando que eles foram impedidos pela juíza de participar da fase de debate e acompanhar a decisão do júri.

O pedido já está sendo analisando pelo desembargador Delmival de Almeida Campos, da 4ª Câmara Criminal de Contagem. Segundo o TJMG, ainda na sexta-feira a juíza conversou com o desembargador sobre as alegações dos advogados e explicou ao magistrado a manobra adotada nas primeiras horas da sessão. Ércio Quaresma e os colegas desistiram da defesa de Bola, afirmando que não concordavam com o tempo determinado para apresentar as suas ponderações (20 minutos) e, por orientação dos advogados, o réu recusou ser representando pelo defensor público nomeado pela juíza.

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Articulações – São muitos os sinais de que Quaresma continua a operar, influenciando decisivamente nas posições dos demais advogados. A troca de advogados de Bruno, aliás, foi um movimento antecipado por Quaresma, que declarou, dias antes do júri, que bastaria uma “piscada de olho” para Bruno sinalizar que desejava trocar de advogados, no início do julgamento. De fato, o goleiro destituiu seu principal defensor, Rui Pimenta, no início de uma manobra para obter adiamento de seu julgamento. Quaresma não assumiu o caso, mas o criminalista que ficou com a defesa – Lúcio Adolfo – integra seu círculo de amizade e influência.

A avaliação de advogados ligados ao caso, ouvidos pelo site de VEJA, é de que a condenação de Macarrão pela morte de Eliza dificulta a vida de Bruno e Bola. Afinal, existe agora um réu que afirma que Bruno decidiu matar Eliza. Os júris são independentes, mas a decisão de condenação de um dos réus por homicídio praticamente inviabiliza o sucesso de uma corrente que nega a existência de crime. Os representantes de Bruno e Bola pretendem sustentar que Eliza está viva.

O espetáculo dos advogados, até o momento, não produziu efeito em favor de seus clientes. A impressão que se tem é de que Bruno, Bola, Dayanne e os demais envolvidos são reféns de estratégias que primam pela pirotécnica, mas carecem de eficiência. Pela atitude do goleiro Bruno – que destituiu advogados no terceiro dia de júri – é possível deduzir que o réu acreditava ser melhor conseguir um julgamento em separado. O que ele não esperava era que, sozinho diante da juíza e dos sete jurados, seu (quase) eterno amigo entregaria a trama, apontando o jogador como mentor do assassinato de Eliza.

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