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Advogados de Farah tentarão anular júri, mais uma vez

Defesa acusa o Ministério Público de apresentar nova tese sobre motivação do crime; pena aplicada ao réu também será um dos motivos para a anulação

Os advogados de Farah Jorge Farah afirmaram que irão pedir novamente a anulação do júri que condenou o cirurgião na quinta-feira a dezesseis anos de prisão pelo assassinado e esquartejamento da amante Maria do Carmo Alves, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Para o advogado do médico, Odel Antun, o Ministério Público apresentou no julgamento uma nova tese sobre a motivação do crime, abandonando, assim, os argumentos sustentados anteriormente. Isso seria irregular, alegam os defensores.

Outra questão apontada pelos advogados foi o fato de a acusação sempre ter afirmado que Farah matou a ex-amante para colocar fim a uma relação amorosa problemática. No entanto, agora, sustentou que o assassinato, na verdade, ocorreu devido à “relação conturbada” entre médico e paciente. Os advogados de Farah também disseram que irão recorrer da dosagem da pena.

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Mais do mesmo – Caso a defesa consiga convencer os desembargadores a anular o julgamento, não será a primeira vez que isso acontece. No ano passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou o primeiro julgamento, de 2008, porque considerou que a banca de jurados ignorou um laudo oficial que considerava Farah semi-inimputável.

No primeiro júri, a pena recebida pelo réu foi de doze anos por homicídio e um ano pela ocultação de cadáver. Agora, a pena subiu e acumula um total de dezesseis anos.

Sedativo – Segundo a perícia feita pela polícia após o crime, Maria do Carmo tinha resquícios de dormonid, um forte sedativo, no corpo. A acusação usou esse fato como prova de que a ação foi premeditada e que a vítima não teve chance de se defender. Farah alegou não se lembrar de ter aplicado o anestésico. Testemunhas da acusação disseram em depoimentos que o cirurgião havia abusado sexualmente delas. O réu chamou as acusações de “mentiras deslavadas”.